Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 12/10/2019
Desde a revolução técnico-científica, ocorrida no século XX, o conhecimento tem sofrido transformações que impactam constantemente a humanidade, que vão desde avanços medicinais a confecções de armas biológicas. Diante disso, é notório que o saber é uma via de mão dupla, pois ao passo que pode proporcionar qualidade de vida ao indivíduo, também pode sujeitar-se a interesses obscuros. À vista disso, é imprescindível o debate quanto ao uso da biotecnologia e suas implicações.
A priori, é pertinente ressaltar que a crescente exigência pela otimização e aumento da produção do agronegócio motivou o emprego intenso da engenharia genética nesse setor, o que resultou na utilização de organismos geneticamente modificados. No entanto, de acordo com a organização não governamental Greenpeace, 2016, ainda não existem evidências científicas sólidas que atestem a ausência de ameaças à saúde dos consumidores desse tipo de alimento. Fica claro, por isso, que a agrotecnologia tem servido apenas à interesses econômicos, ao priorizar o lucro em detrimento do bem estar social.
Outrossim, vale salientar que - segundo o portal G1 - desde 2015, países desenvolvidos, como os Estados Unidos, Suécia e Reino Unido, autorizaram seus cientistas a manipular o genoma humano. No que tange tal fato, é possível que a iniciativa ofereça benesses à sociedade, ao viabilizar pesquisas direcionadas a tratamentos de patologias até agora incuráveis; como também agruras, haja vista a possível seleção de embriões humanos com características aperfeiçoadas. Sendo assim, faz-se crucial o estabelecimento de limites acerca da aplicação da tecnologia na esfera biológica, para que seja utilizada de maneira ética e livre de benefícios particulares.
Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para mitigar tal dilema. Dessa maneira, é fundamental que o Estado aumente as informações à respeito da biotecnologia, por meio de investimentos em pesquisas sobre a sua aplicabilidade e os seus efeitos, com o fito de integrar a teoria científica à prática na sociedade. Equitativamente, é indispensável que o Ministério da Saúde, associado ao da Cidadania, estimule o pensamento ético entre cientistas, por intermédio da promoção de debates no meio acadêmico relativos aos limites do avanço científico, com o propósito de evitar futuros abusos do poder do conhecimento.