Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 16/10/2019
A humanidade está adquirindo toda tecnologia certa por todas as razões erradas, afirmou o escritor Buckminster. Sob esse viés, o surgimento da biotecnologia promoveu avanços significativos em diversas áreas, principalmente na saúde e alimentação, proporcionando um encanto mundial por esse mecanismo. Em contrapartida, essa ferramente enfrenta desafios para conciliação com a Ética, devido ao uso em reprodução artificial, a qual acaba reforçando padrões idealizados na sociedade, além do risco da modificação de alimentos, revelando um abismo formulado.
Mormente, a Revolução Verde, iniciada no México em 1950, proporcionou mudanças importantes no meio rural e na base alimentar mundial, em razão do surgimento dos alimentos transgênicos - alteração no material genético. Dessa forma, a biotecnologia representou avanços na produção em alta escala para a sociedade, mas a longo prazo ocasiona riscos à saúde humana, pois possibilita alterações no funcionamento do organismo, como alergias e intoxicações. Consequentemente, buscar a conciliação entre a tecnologia e a ética torna-se um abismo, uma vez que no viés econômico evidencia um crescimento e ao mesmo tempo causa perigo a integridade do indivíduo e ao meio ambiente, confirmando o pensamento de Buckminster.
Ademais, a biotecnologia passou a ser utilizada na reprodução artificial, a fim de selecionar os genes conforme a escolha dos indivíduos, promovendo uma homogenização dos padrões sociais. Segundo o filósofo Voltarie: O homem insiste em promover a discórdia que é de fato cruel e flagela a humanidade. Desse modo, apesar das inovações promovidas pela tecnologia, essa ferramenta reforça o ideal de perfeição enraizado na sociedade civil, acarreta a exclusão de indivíduos portadores de síndromes, deixando evidente a dificuldade entre conciliar o avanço com a questão ética. Logo, torna-se claro que é necessário regulamentar e definir um limite na utilização desse mecanismo.
Dessarte, a biotecnologia representou avanços em vários âmbitos na sociedade civil, mas não houve uma conciliação com as questões éticas. Diante disso, o Estado, na figura do Poder Legislativo, deve promover a elaboração de um Projeto de Lei baseado nos limites acerca da utilização dessa ferramenta, por meio do incentivo ao uso em pesquisas de caráter informativo da prevenção de doenças, além do cuidado com a base alimentar dos indivíduos, com o objetivo de garantir o rompimento dos paradigmas existentes e buscar o caminho da conciliação com a ética.