Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 17/10/2019

No filme Gattaca, de 1997, é observado um mundo distópico em que os nascidos sem nenhuma modificação genética são segregados por aqueles que as possuem. Já, fora do contexto ficcional, cada vez mais técnicas biotecnológicas são desenvolvidas, aproximando as duas realidades - real e ficcional. Esse tipo de procedimento tem dois lados de uma mesma moeda. De fato, há um lado positivo e negativo, mas cabe ao ser humano decidir e regular essas possibilidades.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a ciência pode trazer para a humanidade tanto benefícios quanto malefícios. Ou seja, uma mesma tecnologia pode acarretar em curas genéticas ou, por outro lado, em uma transgressão ética. Um exemplo foi a descoberta da técnica conhecida como Crispr-Cas9. Essa, por sua vez, trouxe ao mundo a possibilidade de modificar um gene específico com precisão. Logo, como publicado pela revista Nature, demonstrou-se o uso dessa metodologia ao tratar recém-nascidos, os quais apresentam uma imunodeficiência hereditária (SCID). De forma análoga, muitas patologias  genéticas podem ser evitadas ou curadas.

Por outro lado, como toda nova tecnologia, o mesmo princípio pode ser usado para outras situações. Logo, há uma dicotomia entre o uso ético e antiético de um mesmo procedimento. Haja visto que, a humanidade passa com frequência por esse dilema de normas morais, como no caso do uso de radiação para produzir energia ou na construção de armas nucleares. Agora, no caso do Crispr, um evento que chamou a atenção, o qual ocorreu na China, foi o uso dessa técnica para modificar dois embriões, tornando-os resistentes ao Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Tal experimento violou princípios éticos, os quais devem ser seguidos, como aponta a ética Kantiana, de tal forma que, os indivíduos devem agir de modo a desejar que a regra se transforme em uma lei geral. Contudo, essa decisão não deve ser tomada apenas por cientistas, e sim por toda a população mundial.

É evidente, portanto, que novas tecnologias vão surgir ao longo do tempo, e medidas são necessárias para legislar sobre elas. Para isso, é necessária uma parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e as Universidades Federais, com o objetivo de levar o conhecimento científico de forma mais simples para a comunidade em geral. Para isso, serão realizadas palestras mensais abertas ao público leigo, em que os palestrantes serão pesquisadores de todas as áreas, com a finalidade de instruir o público para que possam debater sobre as questões legais e éticas sobre o uso dessas novas tecnologias. Por fim, a divulgação da ciência poderá evitar que o Brasil e o mundo se torne uma ficção distópica, assim como é sugerido em Gattaca.