Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 21/10/2019

Os avanços galopantes da biotecnologia criaram a necessidade de uma subdivisão da ética chamada bioética, um conjunto de pesquisas, discursos e práticas, com a finalidade de esclarecer e resolver questões suscitadas pelos avanços e aplicações da biotecnologia na medicina e biologia.

Muitas vezes a ciência é usada para justificar a urgência na obtenção de resultados, alardeados mundo afora em busca de recursos cada vez maiores para pesquisas, nem sempre benéficas à humanidade, lamentavelmente empregadas como se os fins justificassem os meios. Assim, cada vez mais os limites das características que um cientista pode alterar em outro ser vivo são desafiados, sem que as consequências sejam levadas em conta.

O maior desafio para abordar eticamente uma área que avança tão rapidamente está no fato da mesma ser uma nova maneira de compreender a evolução, que permite repensar o conceito de código genético, tal qual sua realidade e complexidade, por conseguinte a bioética pode acabar relegada ao último plano. Um exemplo extremo de relativização do valor da vida é o dos campos de concentração nazistas que serviram de respaldo às mais bizarras aventuras de cientistas inescrupulosos, que prescindiram da ética de forma velada e ardilosa. Um expoente de tal prática foi o médico alemão Josef Mengele, que realizava experiências em prisioneiros de Auschwitz sem qualquer consideração pela saúde ou segurança das vítimas.

No atual contexto social, se faz necessário lembrar que a bioética não é uma ferramenta que visa frear o progresso da biotecnologia e sua utilização, porém, se faz necessário regulamentar os limites da ciência globalmente. Isto posto, é necessário introduzir disciplinas obrigatórias de bioética nos cursos de ciências biomédicas, assim formando profissionais capazes de interpretar corretamente reflexões éticas e seus dilemas quando enfrentados, além de atualizar constantemente a comunidade científica em tal conjuntura.