Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 21/10/2019
No filme Gattaca, de 1997, observa-se um mundo distópico em que os nascidos sem nenhuma modificação genéticas são segregados por aqueles que as possuem. Já, fora do contexto ficcional, cada vez mais técnicas biotecnológicas são desenvolvidas, aproximando as duas realidades – real e ficcional. Ou seja, ambas se utilizam de procedimentos tecnológicos para alterar o presente. Desse modo, esse procedimento representa dois lados de uma mesma moeda. Portanto, é necessário avaliar os pontos positivos e negativos, mas cabe ao ser humano decidir e regular essas possibilidades.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a ciência pode trazer para a humanidade tanto benefícios quanto malefícios. Ou seja, uma mesma tecnologia pode acarretar curas genéticas ou, por outro lado, uma transgressão ética. Nesse sentido, um exemplo é a descoberta da técnica conhecida como Crispr-Cas9. Essa, por sua vez, trouxe ao mundo a possibilidade de modificar um gene específico de forma específica e precisa. Logo, como publicado pela revista Nature, demonstrou-se o suo dessa metodologia ao tratar recém-nascidos, os quais apresentavam uma imunodeficiência hereditária (SCID). Assim sendo, muitas patologias genéticas podem ser evitadas por intermédio desse mecanismo.
Por outro lado, como toda nova tecnologia, seu uso pode despontar para outras vias. Outrossim, há uma dicotomia entre os usos éticos e antiéticos de um mesmo procedimento. Haja vista que a humanidade passa com frequência por dilemas de normas morais, como no caso do uso da radiação para produzir energia ou na construção de armas nucleares. Todavia, no caso do Crispr, um evento que chamou a atenção, foi o uso dessa técnica para modificar dois embriões, tornando-os resistentes ao Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). Tal experimentou violou princípios éticos, os quais devem ser seguidos, como aponta a ética Kantiana, de tal forma, que os indivíduos necessitam agir de modo a desejar que a regra se transforme em uma lei geral. Desse modo, essa decisão não deve ser tomada apenas por cientistas, e sim pela população mundial.
É evidente, portanto, que novas tecnologias vão surgir ao longo do tempo, e medidas são necessárias para legislar sobre elas. Para isso, é necessária uma parceria entre o Ministério da Ciência e Tecnologia e universidades com o objetivo de levar o conhecimento científico, de forma mais simples, para a comunidade em geral. Por isso, vão ser realizadas palestras mensais abertas à população leiga, em que os palestrantes serão pesquisadores de todas as áreas do conhecimento, com a finalidade de instruir o público para possam debater sobre as questões e éticas acerca dessas novas tecnologias. Por fim, a divulgação da ciência poderá evitar que o Brasil se torne uma ficção, como sugerido no mundo paralelo de Gattaca.