Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 23/10/2019

Thomas More, em “A Utopia”, retrata a existência de um país, onde todas as inequidades do mundo são superadas e todo o corpo social vive de forma solidária, harmoniosa, livre dos preconceitos e das mazelas do mundo exterior. Apesar de ficcional, a obra supracitada pouco se assemelha com a atual conjuntura mundial, pois o uso mal intencionado das biotecnologias corrobora para o aumento das desigualdades sociais e, consequentemente a futura descaracterização do que é ser humano. Dessa forma, torna-se necessário a adoção de medidas para conciliar os inúmeros avanços da ciência com os princípios éticos.

Precipuamente, é fulcral apontar  que apenas uma pequena minoria tem acesso à essas tecnologias. Consoante a isso, o filósofo americano Michael Sandel, em seu livro “Contra a perfeição”, aponta casos em que casais com alto poder aquisitivo “encomendam” seus filhos para nascerem com caracteres aprimorados - mais bonitos, forte e inteligentes - e excluindo genes indesejados. Assim, é inadmissível que tais práticas de melhoramento físico e cognitivo sejam permitidas, pois é estabelecida uma competição desleal entre pessoas normais e “aprimoradas”.

Por conseguinte, o acirramento dessa segregação pode promover uma fissão da espécie humana. A superioridade da raça ariana pregada pelos nazistas seria apenas uma metáfora biológica se comparada com a terrível possibilidade de no futuro existirem pessoas “super-humanas” subjugando o restante da população.

Com base no exposto, é notável que a ética tem suma importância na prática  consciente das biotecnologias, de forma a evitar problemas futuros. Portanto, para a garantia de que a aplicabilidade dos avanços científicos tenham motivações plenas e desprovidas de más intenções, cabe à OMS estimular nos pesquisadores esse pensamento, por meio de premiações e bolsas de incentivo para aqueles que apresentarem trabalhos notórios e benéficos para o corpo social como um todo. Dessarte, o mundo se assemelhará à realidade apontada por More, em “A Utopia”.