Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 31/10/2019
Durante a produção da cerveja, bebida muito consumida pelos brasileiros, ocorre o fenômeno da fermentação, em que é formado o alcoól que a constituirá. Atualmente, técnicas que, como essa, envolvem a utilização de organismos vivos para a modificação de um processo ou produto, denominadas de biotecnologia, são cada vez mais frequentes. Entretanto, em decorrência das profundas modificações que elas podem gerar em nossas vidas, como a formação de plantas resistentes à agrotóxicos e a alteração do material genético de futuros humanos, surgem os desafios de compreender quando essas alterações ultrapassam os valores éticos e de conseguir impedí-las quando isso ocorre, a fim de conciliar a biotecnologia e a ética.
Inicialmente, vale salientar que a definição de uma atividade como ética ou não é uma tarefa complexa. Para realizá-la, de acordo com o filósofo Mario Sérgio Cortella, é preciso conhecer as consequências que essa atividade tem para a sociedade e verificar se ela a prejudica ou a ajuda. Contudo, no caso da biotecnologia, esse processo é ainda mais difícil, uma vez que as práticas realizadas por ela ao mesmo tempo que, por um lado podem ser consideradas positivas para a população, por outro podem ser classificados de forma oposta. Como exemplo, é interessante citar os agrotóxicos e a alteração do material genético de humanos que ainda nem vieram ao mundo. Nesses casos, as modificações feitas pela biotecnologia permitem, respectivamente, uma maior produção para o comerciante e uma mais longa e qualificada vida aos indivíduos submetidos ao processo. Entretanto, enquanto a primeira causa desequilíbrios ambientais, a segunda prejudica a continuidade de relações interpessoais saudáveis entre humanos.
Ademais, vale ressaltar também que as pessoas beneficiadas de algum modo pela biotecnologia em algum processo anti-ético não vão deixar de empregá-la facilmente. No caso do exemplo citado anteriormente, por mais que a prática fosse considerada antiética, o comerciante provavelmente não pararia de utilizar a planta transgênica em sua produção, tendo em vista ela traz um grande lucro para ele que deixaria de existir caso não a usasse mais.
Sendo assim, é essecial que as escolas, através de debates e palestras, ações que hoje precisam ocorrer com mais frequência, discutam com os alunos sobre a ética, a fim de formar cidadãos críticos que consigam estabelecer uma distinção entre processos éticos e antiéticos. Por fim, é fundamental que o Governo federal crie leis que punam pessoas que persistirem em atos que prejudicam à socidade mesmo após serem avisados que devem interrompê-los.