Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 31/10/2019
No livro “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley é retratado uma sociedade na qual os nascimentos ocorrem dentro de laboratórios e ocorre uma seleção genética para que os bebês tenham características concordantes com sua classe social e emprego que exercerá quando for adulto. Fora das páginas desse clássico, a biotecnologia avança nas mais variadas áreas como agricultura, clonagem e na engenharia genética influenciando cada vez mais a sociedade atual. Entretanto, todos esses avanços apresentam aspectos prejudiciais a saúde dos cidadãos e por sempre visarem o lucro acabam ferindo os conceitos éticos e morais estabelecidos pela sociedade.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que com o aumento no número da população mundial nasceu a necessidade de produzir mais alimentos em um período mais curto de tempo. Sob essa perspectiva, o fenômeno revolução verde, que consiste em iniciativas tecnológicas para transformar as práticas agrícolas e aumentar a produção de alimentos no mundo, acabou fazendo sucesso entre os agricultores na época. Todavia, práticas como essa acabam gerando desequilíbrios ambientais pois fabricam produtos altamente resistentes que utilizam agrotóxicos de maneira abusiva que tem como consequências a alteração da fauna do território de plantio e inúmeros problemas de saúde naqueles que consomem tais produtos.
Em segundo lugar, é necessário ressaltar que essa ambição por lucro que grandes produtores têm e o uso exacerbado de transgênicos ou a busca pelo genoma perfeito trás grandes complicações para os preceitos éticos e morais contemporâneos. Nesse viés, a frase de Jorge Amado - “O capitalismo conserva-se o mesmo sistema frágil e injusto, produtor de guerras, de miséria, baseado no lucro, na ânsia do dinheiro. São razões muito miseráveis.” - se satisfaz no caso da soja transgênica, que possui maior resistência ao herbicida Glifosato, uma substância com sérios prejuízos à saúde humana, aumentando o risco de câncer e problemas endocrinológicos.
Portanto, diante dos fatos supracitados se torna necessária a intervenção governamental e de grandes empresas para solucionar tais problemas. Cabe ao Ministério da Agricultura aumentar as fiscalizações sobre os alimentos que são produzidos para que haja maior controle sobre a qualidade e segurança do mesmo afim de evitar complicações na saúde dos consumidores. Além disso, se faz necessário também a criação de uma legislação mais rígida que regule e puna aqueles que ultrapassarem os limites máximos permitidos do uso de agrotóxicos. Somente assim, os avanços da biotecnologia não ferirá mais os princípios da ética e da moral da comunidade contemporânea.