Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 17/11/2019

Biotecnologia: entre o combate de doenças e o mal uso da modificação genética

Entender a constituição e as limitações de um indivíduo é uma ideia que move a humanidade há séculos. Gregor Mendel, por exemplo, foi o primeiro estudioso a realizar um experimento bem sucedido com o cruzamento de ervilhas, ainda no século XIX, impulsionando a ciência no campo da herança genética. Essa sede humana por conhecimento beneficia milhares de pessoas, que podem se vacinar ou fazer tratamento contra doenças como o câncer. Entretanto, o equilíbrio entre a biotecnologia e a ética pode ser ameaçado quando o uso dessa tecnologia apresenta riscos à sociedade, como nos casos de manipulação genética embriões humanos.

Compreende-se que o câncer, a AIDS, a febre amarela e muitas outras doenças só podem ser tratadas, controladas ou prevenidas, na atualidade, a partir do uso da biotecnologia, que auxilia no estudo do desenvolvimento de uma gama de medicamentos que são utilizados ou indicados por profissionais da saúde todos os dias. Sem o auxilio de maquinário adequado e investimento em pesquisa, a população mundial seria dizimada pela incapacidade da medicina em auxiliá-la a combater suas enfermidades.

Entretanto, casos como o que ocorreram em 2018, na China, aumentam a necessidade de debater os limites do uso dessa tecnologia no mundo científico. Um cientista portador do vírus HVI modificou, geneticamente, os embriões de suas filhas para que elas se tornassem imunes ao risco de adquirirem a mesma deficiência do pai. O caso teve repercussão global negativa, pois não há estudos suficientes que abordem o assunto, sendo impossível prever o que poderá ocorrer no organismo desses indivíduos futuramente. Outro ponto discutido é fato de que esse episódio poderia incentivar pessoas a optarem por intervenções genéticas não só para combater doenças, mas também para criar seres humanos dotados de uma inteligência extraordinária ou com traços físicos específicos, por exemplo, o que geraria discriminação contra aqueles que não estivessem dentro de determinados padrões, tornando-se, assim, um problema ético.

Portanto, medidas são necessárias para que o impasse dos limites entre a biotecnologia e a ética seja solucionado. Sugere-se que a Organização Mundial da Saúde crie campanhas para a internet e hospitais explicando, didaticamente, o que é a biotecnologia, seus benefícios e possíveis malefícios à sociedade, pois isso conscientizaria a população sobre o assunto. Além disso, no Brasil, o Ministério da Saúde poderia investir em anúncios curtos (quinze segundos) para a televisão abordando a questão.