Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 09/01/2020
Hugh Lacey debateu, em Valores e Atividade Científica I, acerca dos valores científicos e cognitivos em relação a produção e a comunidade científica. Ao diferenciar valores sociais e pessoais, Lacey apresenta a importância de encontrar caminhos para o equilíbrio, em especial, referente ao entendimento científico e controle da natureza, o qual argumenta sobre a biotecnologia, ética e moral. Nesse sentido, o autor compreende haver uma estratégia materialista para lidar com valores sociais e subordinar o controle a instituições tecnológicas. Assim, faz-se possível exibir argumentos correlacionados com a biotecnologia e a ética em associação a: imparcialidade, neutralidade e autonomia como desafios para conciliação de ambos aspectos.
Por conseguinte, segundo os pressupostos de Lacey, a ética encontraria grandes obstáculos em definir, de maneira terminante, quais seriam os limites da biotecnologia. Com isso, a imparcialidade do cientista ao realizar seus experimentos pode determinar o futuro de sua linha de pesquisa. No entanto, é preciso pontuar que o maior desafio para conciliação da biotecnologia e a ética encontra-se no fato de a ciência ser imparcial, mas não neutra. A neutralidade reside na condição de entender os valores sociais, bem como a abrangência da tecnologia e da ciência, o que para a biotecnologia, apoiada na universalidade, é um problema.
Não obstante, os valores sociais repousam sobre a cultura, a qual estabelece grande parte do que é considerado em uma sociedade. Por isso, a autonomia da ciência mostra-se um dos argumentos consistentes para desenvolvimento de novas pesquisas na tentativa de estabelecer divisas com a ética. O dilema, de acordo com Lacey, fundamenta-se no objeto da investigação, seja ele humano ou não-humano. Se humano, a investigação deve levar em consideração tópicos referentes ao corpo social. Se não-humano, as questões afetivas são ponderadas e decisivas, através dos valores pessoais.
Portanto, de acordo com as informações apresentadas, faz-se preciso assinalar os obstáculos que a ética encontra para atingir a biotecnologia e a ação da mesma na sociedade. Ao considerar a cultura, a dialética encontra a problemática da pessoalidade, o que dificulta uma síntese. Assim, o MCTIC [Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação] deve, em conjunto com a comunidade científica, elaborar medidas para conscientizar a população da imparcialidade científica e, com limite estabelecido, de sua autonomia. Ainda, o MEC [Ministério da Educação] deve, junto as escolas, propor debates coordenados por educadores e cientistas, a fim de pleitear sobre o horizonte das descobertas da biotecnologia.