Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 15/02/2020

O filme norte-americano “Victor Frankenstein” relata a história de um cientista no período medieval, o qual progredia em sua pesquisa para a criação de uma espécie humana a partir de órgãos e tecidos de animais mortos, mas violava, com essa atitude, valores culturais de uma sociedade profundamente religiosa. Fora da ficção, esse cenário instável entre biociência e conceitos éticos também está presente no cotidiano brasileiro, além de estimular discussões e tornar-se um sério problema, visto que – seja pelo egoísmo científico, ora pela ineficiência estatal – desrespeita setores socioambientais e permite a formação de componentes perigosos.

A princípio, cabe analisar o papel egoísta do meio tecnológico sob a visão do filósofo alemão Hans Jonas. Segundo o autor, o homem deve preocupar-se com os efeitos coletivos de suas ações e não apenas em resultados individuais. Analogamente, grande parte do setor científico contradiz esse pensamento ao visar somente os lucros ligados as inovações tecnológicas e omitir os danos morais e ambientais que podem ser cometidos – como alterações genéticas em seres humanos e manipulações de armamentos bioquímicos. Por consequência, o potencial transformador dos processos biológicos perde  seu prestigio e começa a afetar condições de equilíbrio na sociedade.

Ademais, além do egoísmo técnico, a ineficiência estatal também corrobora na problemática e convém ser contestada sob a perspectiva do filósofo britânico John Locke. Segundo o autor, a sociedade, em seu estado de natureza, possui o direito à vida, à saúde e à liberdade, que devem ser preservados pelo governo. Dessa forma, o atual poder público contrapõe essa ideologia ao promover poucos projetos de moderação no meio científico, os quais, frequentemente, não difundem princípios éticos nas universidades que executam técnicas biológicas e facilitam nesses locais a criação de práticas que colocam em risco a natureza humana. Logo, observa-se o aumento de experimentos inseguros e com vigilância reduzida, o que favorece a manifestação de compostos químicos e pesticidas tóxicos.

Diante disso, torna-se evidente que medidas devem ser tomadas. Para isso, o Ministério da Ciência, em parceria com agências de fiscalização biológica, deve criar moderações para meios científicos, de modo a proibir pesquisas que ignoram prováveis danos morais e incentivar, com benefícios fiscais, análises em prol de melhorias para a saúde dos brasileiros. Dessa maneira, será possível aumentar mecanismos que auxiliem no bem-estar social e diminuir a instabilidade no contexto técnico e moral. Além disso, o governo, por meio de verbas públicas, deve promover palestras nas universidades sobre a ética aliada ao exercício da profissão, a fim de construir valores entres os estudantes e impedir a realização de técnicas que desrespeitam a dignidade humana, assim como ocorreu no filme “Victor Frankenstein”.