Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 14/05/2020

No final da década de 1980 nasceu a primeira brasileira fruto da técnica de fertilização “in-vitro”, popularmente conhecida como “bebê de proveta”. Nesse contexto, é possível afirmar que o avanço da biotecnologia é de suma importância, pois é capaz, não só de melhorar a vida, mas também de realizar sonhos, como o de ser mãe. No entanto, ainda há muito a ser debatido sobre os limites éticos no avanço tecnológico. Dessa forma, faz-se pertinente a discussão de temas controversos, tais como: Células-Tronco e edição genética de seres humanos.

A priori, é importante ressaltar que o desenvolvimento de estudo em células-tronco é potencialmente benéfico, porém é carregado de controvérsias. Consoante ao tema, pesquisadores da Universidade de São Paulo “USP” defendem que o trabalho com essas células podem revolucionar o tratamento de doenças terríveis, como a leucemia, uma vez que se torna dispensável encontrar um doador compatível. Entretanto, para viabilizar o desenvolvimento dessa tecnologia é necessário fazer uso de partículas embrionárias. Essa situação é polêmica, pois parte da sociedade já considera esse tipo de corpúsculo como um ser humano e, nesse caso, a sua utilização é tida como uma espécie de aborto.             Por conseguinte, a falta de debate entre pesquisadores, sociedade e governantes, é um problema grave e caracteriza-se como um desafio a ser superado no desenvolvimento de novas terapias que poderão salvar muitas vidas. Em segundo plano, cabe discutir a respeito da edição genética de seres humanos. Nesse sentido, a reportagem veiculada pela revista “Exame” revela que o genoma humano foi amplamente estudado e já é possível editar os genes de doenças hereditárias, evitando-as. Entretanto, também é possível reorganizar o DNA da cor dos olhos, pele e cabelo. Isso seria extremamente danoso para a formação de uma sociedade equitativa. Dessa forma, ainda não estão claros quais são os limites da utilização dessa técnica que é capaz de salvar vidas, mas também tem o potencial de reforçar problemáticas sociais. Assim, é fundamental que um código de ética seja fornecido aos pesquisadores, a fim de que limites sejam estabelecidos e as pesquisas direcionadas para que toda sociedade possa ter acesso aos benefícios dessa nova ciência.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas para conciliação entre biotecnologia e ética. Por isso, o Ministério da Ciência e Tecnologia deverá desenvolver o projeto “Medicina e tecnologia”, que organizará congressos e debates envolvendo líderes religiosos, cientistas e políticos. Tal ação terá como objetivo a elaboração do código de conduta que deverá nortear o rumo das pesquisas. Espera-se, com isso, que esses estudos possam continuar dando resultados positivos e respeitando os limites da nossa sociedade e, assim, garantir que a ciência continue curando enfermidades e realizando sonhos.