Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 19/03/2020
A Biotecnologia trata-se da aplicação das Ciências Biológicas para a elaboração de produtos de interesse da humanidade. Embora esteja na humanidade desde a Antiguidade, com o uso de fermentação para fazer bebidas alcoólicas, ela ganhou visibilidade apenas recentemente devido aos avanços na Engenharia Genética. Nesse sentido, tais progressos representam uma expressiva revolução no âmbito da saúde. Contudo, se a sua utilização não for feita dentro de padrões éticos, pode resultar em eugenia, além de impactos ambientais relacionados à evolução.
Nessa perspectiva, técnicas emergentes relacionadas à alteração da composição de genes podem ser essenciais para a cura de doenças genéticas, porém trazem implicações morais duvidosas. Nesse sentido, o CRISPR - técnica desenvolvida pela bióloga Jennifer Doudna que induz mutações com o uso de enzimas bacterianas - tem sua patente disputada por várias empresas. Isso significa que, em um futuro próximo, será possível que pais “comprem” o genótipo de seus filhos, escolhendo as características que eles queiram que a criança apresente. Dessa forma, certas características serão priorizadas em detrimento de outras, o que é condenável.
Além disso, o melhoramento genético de plantas, ou seja, a alteração de seu material genético de forma que interesse o homem, ganha notoriedade por aumentar a produtividade do agronegócio, mas pode ser fatal para a evolução do Planeta. Sob essa conjuntura, a transgenia reduz o diferencial entre os genes de uma “população” de plantas, consequentemente, reduzindo sua variabilidade genética. Esse último fator é essencial para a capacidade desses seres vivos de se adaptarem ao meio ambiente, característica crucial para a evolução das plantas. Logo, se não for feito com cuidado, o processo de melhoramento pode retardar o desenvolvimento das espécies, o que seria ambientalmente antiético.
Portanto, se faz necessária a adoção de medidas para garantir que a Biotecnologia seja moralmente correta. Sob tal óptica, as empresas biotecnólogas devem adotar políticas éticas elaboradas por bacharéis de Filosofia, de Ciências Sociais ou de áreas afins, conscientizando os consumidores dela por meio de consultas com profissionais da Bioética, a fim de esclarecer a eles o compromisso da ciência com a moral. Ademais, o Ministério da Educação deve procurar aproximar acadêmicos das universidades com o agronegócio por intermédio de programas, com o objetivo de encontrar alternativas que conciliem produtividade com sustentabilidade. Dessa maneira, a Biotecnologia vai ficar à serviço do bem.