Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 30/03/2020

A obra ficcional “Gattaca” expõe uma sociedade alternativa onde os indivíduos que desejarem por filhos recorrem a um laboratório para uma seleção do melhor genótipo, legitimando a criação de uma sociedade dividida entre válidos e inválidos (indivíduos concebidos naturalmente). Fora dos limites da ficção, a biotecnologia enfrenta dilemas éticos acerca de assuntos polêmicos, como a manipulação do genoma humano e dos alimentos, e portanto deve ser tratada com atenção analisando-se as vantagens e as desvantagens sobre o assunto. Assim, buscam-se alternativas para a conciliação dessa nova ciência com os princípios da ética que circundam o âmbito social, visto que essa é imprescindível para o avanço mundial.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que a manipulação de sementes para o plantio foi uma das criações biotecnológicas mais essenciais para o desenvolvimento do corpo social. Prova disso, tem-se a Revolução Verde, ocorrida entre a primeira e a segunda metade do século XX, que permitiu com que países com déficit de alimentos pudessem suprir suas necessidades e aumentar a produção alimentícia para a população, diminuindo os índices mundiais de morte por subnutrição.

Entretanto, é importante frisar que o sequenciamento do genoma humano e o desenvolvimento da técnica de clonagem, apesar de seus benefícios, devem ser tratados com atenção e cautela pelo campo jurídico e o da saúde. Por um lado, o Projeto Genoma, iniciado nos EUA, permitirá a elaboração de medicamentos mais precisos e a prevenção de doenças. Por outro lado, a iniciativa facilitará o uso discriminatório na sociedade e imprensas contra pessoas portadoras de alterações genéticas, assim como o antiético das informações, como na criação de novas doenças.

Portanto, conclui-se que apesar de extremamente necessária, a biotecnologia deve sempre procurar conciliar a ética com o seu desenvolvimento. Para tanto, a Organização Mundial de Saúde (OMS) deve estabelecer uma parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU) para que, por meio de reuniões entre os líderes de diversos países e profissionais da área de saúde, possam entrar em um consenso mundial acerca dos limites que deverão ser seguidos nas pesquisas da área biotecnológica. Tal medida tem como fito a universalização da bioética e a segurança dos indivíduos para desse modo, a igualdade entre os indivíduos seja assegurada, impedindo com que cenários como o do filme “Gattaca” tornem-se realidade.