Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 21/03/2020

No episódio “Black Museum” da série da Netflix “Black Mirror”, um neurocientista insere a cópia da consciência de um rapaz em um holograma, submetendo a simulação virtual dele a choques que produzem sensações reais. Fora das telas, no Brasil, a definição sobre a partir de que limite a Biotecnologia é nociva, como ocorre na ficção, é uma pauta discutida atualmente. Logo, é imperioso refletir sobre como essa ciência pode ferir à ética, sobretudo os direitos à dignidade e à liberdade.

Na Segunda Guerra Mundial, o médico nazista Josef Mengele submetia gêmeos judeus a experimentos perturbadores, como o uso de substâncias tóxicas nos olhos das vítimas. Ademais, lamentavelmente, essa não é uma exceção, na medicina, de pesquisas que torturam seres, posto que outras experimentações também já infligiram a integridade do homem. Por exemplo, outra ocasião de crueldade ocorrida foi no programa “Mk ultra”, da CIA, que injetava drogas nos indivíduos, sem o consentimento deles, para analisar os efeitos dessas substâncias em suas mentes. Desse modo, pesquisas em pessoas agridem a Ética, uma vez que desrespeitam o direito à dignidade dessas vítimas, expresso na Declaração Universal de Direitos Humanos, lei máxima global.

Outrossim, no episódio “Arkangel” da série “Black Mirror”, uma mãe implanta um “chip” no cérebro da sua filha, o qual lhe permite assistir tudo que ela faz e, por conseguinte, impossibilita a liberdade da jovem. De maneira análoga à ficção, essa tecnologia já foi desenvolvida pela empresa de mercados “Three Square”, a qual implantou esses “chips” em seus funcionários, o que a permitiu vigiá-los. Dessa forma, é indubitável que os cidadãos, progressivamente, terão sua vida particular extinta, visto que será monitorada a todo instante pelos seus chefes. Portanto, conclui-se que o uso de circuitos integrados em humanos fere a moral, dado que impossibilita o direito à privacidade, presente na Constituição de 1988.

Dessarte, medidas são necessárias para evitar o desacato da Biotecnologia à Ética, o qual é uma pauta tão discutida hodiernamente. Para tal, urge que o Ministério da Tecnologia, órgão que é responsável por monitorar a ciência no país, barre pesquisas que envolvam quaisquer experimentos em humanos e a implantação de “chips” no corpo das pessoas, a fim de que os cidadãos tenham seus direitos à privacidade e à dignidade assegurados. Dessa maneira, será evitado que o comportamento antiético, retratado no episódio “Black Museum” de “Black Mirror”, seja uma realidade no Brasil.