Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 24/03/2020
A obra “Admirável Mundo Novo” escrita por Aldous Huxley retrata uma sociedade na qual as pessoas são produzidas em laboratórios e possuem um papel social bem específico. Apesar do estranhamento inicial dessa narrativa, a tecnologia atual apresenta grandes possibilidades de manipulação dos genomas e traz à tona os desafios para a conciliação da biotecnologia e ética.
No primeiro momento, vale ressaltar que existe uma falha da participação social na bioética nacional. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, 51% da população brasileira com 25 anos ou mais possui no máximo o ensino fundamental e esse defict educacional dificulta que a comunidade entenda e refute as questões éticas apresentadas pelas intervenções científicas. Desse modo, é perceptível a pseudo participação pública que inviabiliza o diálogo entre as partes.
Ademais, a legislação brasileira, quanto a biotecnologia, precisa ser potencializada para atender as necessidades atuais. Isso ocorre devido ao início tardio das discussões bioéticas no país que se concretizaram com o primeiro decreto referente ao tema apenas em 1990 de modo que, com o passar do tempo, esse tipo de intervenção pontual foi mantida o que resultou em um contrato social retalhado que não atente de modo eficiente os dilemas atuais.
Portanto, para que haja comunicação entre a biotecnologia e a ética cabe ao Governo Federal fortalecer o sistema básico de ensino por meio de profissionais e materiais de qualidade para ser utilizado juntamente com um reajuste na constituição sob responsabilidade do poder legislativo com a participação da população e da comunidade científica para atender ambas partes. Sendo assim, será possível o crescimento tecnológico de forma sustentável.