Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 27/03/2020

No livro “Orxy e Crake”, de Margaret Atwood, é apresentado um mundo distópico que foi destruído graças à Biotecnologia. No cenário atual brasileiro, já são realizadas diversas pesquisas que envolvem essa tecnologia, porém alguns desses trabalhos devem ser feitos com cautela, pois o má uso na, sobretudo, manipulação do DNA humano e no melhoramento genético de pessoas, pode gerar sérios impasses.

A princípio, vale ressaltar que a manipulação do DNA humano é feita com o fim de melhorar a qualidade de vida das pessoas, principalmente a saúde. Entretanto, muitas vezes as barreiras da ética são quebradas, dando margem para utilizar dessa tecnologia para, por exemplo, selecionar características em crianças. Mas ao dar espaço para isso, a Biotecnologia acaba contribuindo com o preconceito acerca de traços especiais como o “Nanismo”. Isso pode ser confirmado por um episódio que fala sobre Engenharia Genética da série “Explicando”, na qual uma mulher que detém o “Nanismo” fala sobre como é ruim ser vista como um problema ou uma doença pelas pessoas.

Ademais, o melhoramento genético é um sonho próximo para os indivíduos de elevado poder aquisitivo. Esse grupo de pessoas, muitas vezes, está em busca de melhorar sua qualidade de vida ou a de seus filhos, e essa tecnologia pode fornecer isso. Porém é valido destacar que ao começar a realizar alterações no DNA das pessoas, isso pode contribuir, infelizmente, para uma maior disparidade social entre indivíduos, visto que, frequentar clínicas genéticas e realizar procedimentos nelas não é nada barato. De maneira a ilustrar isso, a série “Altered Carbon” representa uma sociedade na qual os corpos das pessoas são feitos artificialmente, possuindo elevada capacidade física e traços desejáveis de quem está pagando. Dessa forma, a população rica desse universo possui excelentes corpos, já os pobres, corpos ruins.

Portanto, é nítida a necessidade tanto de fiscalizar a manipulação do DNA humano, quanto de observar o melhoramento genético no Brasil. Logo, é preciso que o Governo Federal controle com mais rigor as instituições genéticas brasileiras, por meio de, por exemplo, operações com a polícia civil para acompanhar seus trabalhos em caso de denúncias, podendo ser feitas de forma virtual em canais como  o “Whatsapp” ou em sites. Além disso, devem ser feitas palestras em escolas para amenizar o preconceito vivenciado por crianças ou por adolescentes com características especiais. Assim, o cenário distópico representado em “Orxy e Crake” pode ser evitado no País.