Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 01/04/2020
Dolly, a ovelha mais conhecida mundialmente, foi o primeiro mamífero a ser clonado com sucesso a partir de células adultas da espécie. Nesse sentido, esse feito científico significou grande avanço para a humanidade no que tange à aplicação da tecnologia à vida, todavia, gerou-se complicados desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética humana. Tal impasses se pautam no grande interesse financeiro das empresas e da inércia do Estado. À vista disso, subterfúgios devem ser encontrados, com a finalidade de sanar essa problemática.
Em primeira instância, os interesses das grandes corporações empresarias impedem a conciliação da ética com a biotecnolgia. Nesse contexto, no filme “A Ilha”, o protagonista e seus colegas vivem uma vida normal até descobrirem que, na verdade, são clones criados por uma organização privada para serem um seguro de vida para os seus “originais”. Sob essa lógica, mesmo que a realidade não seja análoga à ficção, essa busca incessante por lucro é semelhante, pois os empresários não querem saber se estão transpondo normas morais, mas sim a finalidade de suas ações, que é o capital. Desse modo, enquanto essa situação se perpetuar, mais a biotecnologia não respeitará a vida.
Outrossim, somado ao supracitado, a inação do Estado brasileiro potencializa, ainda mais, o afastamento da biotecnologia e da ética. Isso ocorre por que além de não haver um pacote de leis ou medidas eficientes que abordem e tentem alcançar a sincronia entre essas duas áreas, a ciência é pouco valorizada pelo país, de modo que é sempre colocada em segundo plano. Consequentemente, áreas como a engenharia genética, que já auxiliou no processos de terapias, como no caso da recombinação genética de uma bactéria para a produção de insulina para diabéticos, são postergadas, dando espaço para as inconformidades e crimes entre a tecnologia aplicada à vida.
Nessa perspectiva, portanto, é mister que haja medidas que tentem obliterar os desafios para a conciliação da biotecnologia e a ética. Para isso, o Governo Federal, como instância máxima de administração executiva, junto ao poder judiciário, deve impedir que a biotecnologia seja usada para fins que ultrapassem os princípios morais, por meio da criação de órgãos denominados " Inspetores da Ciência e Vida" que irão fiscalizar, por meio de denúncias e visitas a empresas, qualquer incoerência relacionada à engenharia genética, a fim de que a busca insaciável por capital não corrompa a sociedade. Ademais, o Estado deve mudar a situação da ciência no país, através de um pacote de leis que viabilizem grandes investimentos às áreas científicas, o que resultará no melhor entendimento das tecnologias e informação, com o intuito de gerar criticidade entre todos, fazendo que haja a sincronia entre as diversas searas humanas.