Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 30/03/2020
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), biotecnologia significa qualquer aplicação tecnológica que utilize sistemas biológicos, organismos vivos e derivados, para fabricar ou modificar produtos ou processos para utilização específica. Falar sobre o assunto é algo complicado. A biotecnologia oferece métodos diversificados de utilizar a ciência e a técnica para melhorar a vida humana e suas condições. Porém, ao ser executada, também pode trazer prejuízos ao meio ambiente, à saúde das pessoas e ferir a Ética, sendo necessária uma reflexão sobre seus prós e contras e os limites de sua utilização.
É relevante ressaltar, primeiramente, que as aplicações biotecnológicas estão, sobretudo, na medicina. Ela é usada na produção de vacinas e medicamentos, criação laboratorial de anticorpos para pacientes com sistema imunitário deficiente e manipulação do DNA. Seu uso principal está no desenvolvimento das células-tronco, que têm capacidade de se multiplicar e se transformar em células especializadas, como neurônios, células do fígado e cardíacas. Consequentemente, esta pode ser a chave para a cura de diversas doenças e até decretar o fim dos transplantes. Além disso, a biotecnologia é empregue na agricultura e produção alimentícia, com técnicas para reduzir ou eliminar contaminações no meio ambiente, criar biocombustíveis a partir de organismos vivos ou resíduos vegetais e viabilizar uma produção de plástico biodegradável através de microalgas, visando melhorar a qualidade dos produtos e da natureza.
Contudo, é inegável que, sem a valorização da Ética, existe a possibilidade de complicações no uso da biotecnologia e vários efeitos colaterais. No meio ambiente, há o impacto negativo da utilização intensa de agrotóxicos e fertilizantes, a interferência no equilíbrio natural e a ´´poluição genética", uma vez que não é possível controlar os efeitos da disseminação de organismos geneticamente modificados. Ademais, as técnicas de manipulação do genoma podem mudar características básicas humanas em vez de apenas curar distúrbios cromossômicos e doenças, além do risco da clonagem de seres vivos e do fato de a produção de células-tronco gerar estresse celular que pode desencadear envelhecimento precoce, por exemplo.
Por fim, torna-se essencial uma análise e discussão sobre a influência que a biotecnologia tem na vida humana e na natureza. Assim, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia regulamentar o uso biotecnológico no país para controlar sua execução em determinadas áreas e estimular campanhas nas mídias sociais e nas escolas, provocando debates sobre o uso desta tecnologia com a ética e informando a população sobre as vantagens e desvantagens do uso da biotecnologia e seus impactos.