Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 31/03/2020

A biotecnologia foi considerada altamente vantajosa e inovadora por ter sido responsável pelo desenvolvimento de muitas áreas dentro do campo da saúde, como a produção de vacinas, antibióticos e os mais variados medicamentos. Sua criação foi possível graças à descoberta da natureza química do material genético, que pôde ser manipulado através da biologia molecular e proporcionou a busca por caracteres almejados, ao passo que retirou os indesejados. Em contrapartida, o uso da biotecnologia de forma direta na espécie humana divide opiniões e traz à tona um dilema ético, vendo que a manipulação genética por simples preferência ou para obtenção de lucro vai contra qualquer princípio moral.

Precipuamente, a biotecnologia mostra uma face benéfica e rentável dentro da agronomia quando analisado o lucro da produção agrícola vindo de alimentos transgênicos. Isso ocorre porque tais alimentos foram criados para formarem plantas com crescimento mais rápido e maior produtividade, diminuindo custos e aumentando o rendimento da produção. Entretanto, foi observado tardiamente que a partir da mudança genética, foram criados inúmeros danos ao meio ambiente e até mesmo à saúde dos consumidores, aumentando o risco de câncer e desregulando sistemas endócrinos.

Ademais, o avanço da biotecnologia também levou ao Judiciário questões como reproduções artificiais, nas quais é possível alterar os genes do feto. Tal ciência ainda está em desenvolvimento, assim, não há garantia de quais são suas consequências. “O uso de fertilização in vitro por casais que não teriam qualquer problema em ter filhos, apenas para escolher a cor dos olhos do filho, é um tipo de tecnologia que ultrapassa os limites da ética”, é o que afirma a advogada Renata da Rocha, doutoranda em Filosofia do Direito pela PUC-SP.

Ainda que tenha se mostrado um sucesso, a criação dos primeiros bebês geneticamente modificados do mundo, inteiramente imunes ao vírus do HIV, foi arriscada, e a postura do pesquisador responsável, o chinês He Jiankui, foi severamente criticada. A partir desse estudo, cientistas temem que no futuro as crianças serão geneticamente modificadas para atenderem proezas atléticas, intelectuais e até padrões de beleza.

Em síntese, ainda é necessário grande desenvolvimento das práticas e estudos acerca da biotecnologia, antes que essa possa ser aplicada sem maiores riscos. Dessa forma, é esperado do Ministério da Saúde um posicionamento que regule tais pesquisas e assegurem que os métodos estudados entrem em vigor exclusivamente depois de testados, com a finalidade de garantir o cumprimento da ética médica e proteção àqueles envolvidos em procedimentos biotecnológicos.