Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 31/03/2020

A biotecnologia, em sua proficiência na modificação celular, representa o futuro e, em especial, ao setor da genética humana. Entretanto, se os avanços dessa nova ciência não andarem em conjunto aos padrões da ética, da ordem e do progresso, a sociedade estará fadada a enfrentar problemas que, além de reafirmarem os superficiais padrões estéticos, podem culminar a própria perda da identidade humana.

Desde a Grécia Antiga, a valorização do corpo é um preceito dominante, e a simples perspectiva de obter o poder de fazer alterações corporais é uma alusão que instiga grande parte das populações, fato evidenciado pelos números em cirurgias plásticas, do qual o Brasil mantém-se como segundo maior detentor. E, levando em consideração uma pesquisa feita pela DOVE, em que 96% das mulheres entrevistadas não se sentiam a vontade com a sua aparência, entende-se que uma tecnologia como a manipulação genética, proporcionada pela biotecnologia, representa, sem a devida legislação e controle, um perigo iminente à sociedade, já que pode desencadear na padronização humana, excluindo as diferenças que constituem suas individualidades.

Tais aspectos são diligentemente tratados na série “Orphan Black”, que retrata sob a óptica futurista os problemas que uma sociedade sem a moderação e a cidadania necessária ao manejo desta ciência apresentam, abordando questões como a clonagem e a busca pela identidade em primeiro plano, contrapondo uma realidade deturpada pelo poder que o controle dessa arma pode fornecer a uma pequena parcela da sociedade, ao custo de vidas. E, levando este parâmetro às condições do mundo contemporâneo, onde há constante desejo de supremacia em diversos produtos e serviços, arcar com a responsabilidade do domínio da espécie humana pode não ser adequado neste momento, visto que a competição sobre o monopólio mundial e as armas já desencadeou em duas grandes guerras recentes.

Portanto, visto que a biotecnologia ainda vai agregar muitas inovações, é necessário que haja, por parte dos governantes, a criação de legislações que já estejam preparadas para a evolução e, o preparo imprescindível da população, para que a aquisição deste poder não desencadeie às situações vivenciadas em “Orphan Black” ,além de que é essencial que o déficit de aceitação e autoconfiança seja sanado antes que a opção do reinventamento seja posta em pauta, para que seja evitado que a manipulação genética venha a tornar-se a nova “plástica embrionária”.