Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 03/04/2020
A 2ª Guerra Mundial deixou legados bons e ruins para a sociedade atual: a invenção dos antibióticos para humanos, grande avanço na medicina, e os inúmeros testes em pessoas vivas para tentar modificá-las, atos extremamente cruéis e mal vistos. Por isso, a biotecnologia atual lida com questões legais. Então, é importante conhecer a história para não repetir tais feitos grotescos e poder avançar cientificamente com segurança.
Apesar de possíveis melhorias na qualidade de vida e grandes conquistas científicas, há empasses sociais em mutar pessoas. Selecionar qualidades específicas em humanos visando melhores posições na sociedade é uma questão darwinista, pois considera que os humanos modificados são superiores perante os demais. Além disso, procedimentos inovadores são caros, fato que tornaria a mutação genética induzida um processo elitista, ressaltando ainda mais a desigualdade.
Existe, também, o empasse ético no questionamento do que de fato é humano. No seriado Black Mirror, essa questão é bem retratada ao mostrar o caos quando a tecnologia ultrapassa os limites naturais: a robotização das pessoas. Relacionando isso à filosofia, deve-se relembrar um dos princípios universais de Sócrates, o qual permite a mudança dos seres, desde que não percam a essência. Fazer qualquer mutação no indivíduo que não condiga com sua existência natural fere esse princípio socrático, enquadrando o cenário da série.
Portanto, diante de tantos avanços na ciência, é preciso cautela para não causar efeitos catastróficos. Para isso, especialistas em filosofia, sociologia e biotecnologia devem aliar-se, buscando a mediania do que é certo ou errado, bom ou ruim, frente às descobertas científicas na saúde, auxiliando em pesquisas para melhorar a vida humana sem que ela perca sua essência fundamental. Afinal, como disse Confúcio, “a humanidade é a única base sólida de todas as virtudes”.