Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 18/06/2020
Em uma das mais célebres obras do universo cinematográfico, o filme “Admirável Mundo Novo”, retrata uma sociedade organizada segundo princípios científicos em que as pessoas são programadas em laboratório, e esses fatores instigam à sociedade refletir. Fora da ficção, é fato que a tentativa de edição de genes continua sendo uma realidade para a ciência, em que está sendo discutida persistentemente, já que ferem os direitos humanos, pois não é totalmente seguro a sua eficácia, e mesmo que ocorra a cura e determinada doença, há possibilidade que se dissemine outras doenças, pois esse gene modificado não interage com os outros, podendo ocasionar problemas genéticos transmitidos para as futuras gerações. Desta forma, é inerente a necessidade de impor limites e desenvolver práticas humanizados de estudo.
Sob essa óptica, é importante mencionar a tecnologia que tornou a modificação genética possível, é o sistema CRISPR-Cas9 que permite os cientistas fazerem alterações e manipularem as células de DNA, por meio da enzimas de restrição ou “tesouras moleculares”, que poderia levar a cura de certas doenças, pois com essa técnica é possível modificar e inserir partes específicas no genoma. No entanto, é inevitável que a questão constitucional e a sua aplicação não estejam entre as principais causas do problema, já que no Brasil, a Lei de Biossegurança, proíbe qualquer experimento envolvendo embriões humanos, pois não se sabe ao certo as implicações que podem ocorrer. Assim, infere-se a necessidade de responsabilidade médica em relação aos procedimentos utilizados, devido a incerteza dos resultados.
Ademais, a capacidade de manipular nossos genes podem influenciar no comportamento psíquico dos indivíduos e em sua conduta, no qual é possível criar seres geneticamente modificados com certa vantagem sobre os outros. Seguindo essa linha de raciocínio, a ética tem responsabilidade humana, pois envolve a melhoria da qualidade de vida, que diverge diretamente com alguns princípios da biotecnologia.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Para que isso ocorra, o governo juntamente com o Ministério da Saúde (OMS), devem promover um sistema de humanização com mecanismos eficientes para orientar pesquisas biotecnológicas no país, para fiscalizar as características físicas e de clonagem. Nessa perspectiva, o Ministério da Tecnologia precisa intervir no campo de pesquisa da comunidade científica, para implementar medidas de conscientização dos perigos dessas inovações, a fim de garantir a dignidade humana.