Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 25/04/2020
O filme “Gattaca: a experiência genética”, retrata uma sociedade ficcional formada por indivíduos que sofreram manipulação genética. Sob esta ótica, o personagem Vincent Freeman que nasceu de maneira tradicional, sem preparos genéticos, é considerado um “não-valido”, isto é, inferior aos “humanos perfeitos”, criados a partir da biotecnologia. Não obstante à ficção, tem-se o desenvolvimento tecnológico hodierno, que aprimora-se cada vez mais na criação de mecanismos que melhorem a qualidade de vida, a economia e a ciência. No entanto, no Brasil, a deficiência na fiscalização às vertentes da bioética e os debates acerca do uso indiscriminado, sobretudo, da biotecnologia trazem à tona os limites éticos da ciência. Logo, é necessário aliar os valores científicos aos valores sociais.
Em primeira análise, a falta de incentivo à fiscalização coloca em risco a utilização da tecnologia de forma adequada e segura. Nesse sentido, deve-se considerar os muitos impactos da biotecnologia, por exemplo, no cotidiano das pessoas, seja na saúde com a criação de vacinas e antibióticos, seja no comércio alimentício com a descoberta de agrotóxicos e de transgênicos, além das diversas atuações na industria de insumos e cosméticos. Segundo o estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o Brasil ocupa a 12° posição no ranking mundial em números de empresas de biotecnologia. Contudo, os empenhos governamentais na preservação dos limites de seguridade do uso de tais mecanismos são insuficientes e enfraquecem a legislação.
Em segunda análise, para o físico e teórico, Albert Einstein, “Tornou-se aterradoramente claro que a nossa tecnologia ultrapassou a nossa Humanidade.”, por meio desse pensamento é possível inferir a sobreposição da tecnologia e dos interesses atrelados a indústria, em detrimento aos valores éticos, que regem os limites da biotecnologia, como exemplo, a manipulação de dados genéticos. Nesse ínterim, considerar aspectos socioculturais e humanísticos, além do diálogo é imprescindível para que haja um bom uso da modernização da ciência, em favor do melhoramento da qualidade de vida. Todavia, a desinformação atenua o preconceito com relação a um diálogo construtivo que poderia levar a um consenso entre o avanço tecnocientífico e os princípios morais e questão.
Portanto, em virtude da inevitabilidade de conciliar a biotecnologia e a ética, faz-se preciso que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, invista, por meio do remanejamento de verbas destinadas a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança - órgão responsável pela inspeção do uso de dados genético - no estudo e aplicação da bioética, na fiscalização de laboratórios e industrias do segmento, além de propor, em mídias sociais, o debate acerca da funcionalidade da tecnologia no contexto social, a fim de manter histórias como a de Vincent apenas na ficção.