Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 04/05/2020
Sociedade de OGM’s
A Biotecnologia foi criada no século XX, e é desenvolvida desde então para mudar genes de seres vivos a fim de melhorias na vida humana. Paradoxalmente, ela, que visava melhorias, hoje preocupa grande parte da comunidade científica, por um enorme potencial de homogenização e exclusão da humanidade, sendo assim difícil conciliá-la com a Ética.
Em primeiro plano, é válido destacar o projeto Genoma Humano, que recebeu verbas de vários países, e mapeou todos os genes da espécie humana, responsáveis por atribuir a nós características físicas, habilidades e ainda, doenças, desse modo, inúmeras enfermidades poderiam ser evitadas alterando-os. Contudo, como todos os genes humanos já são mapeados, e há tecnologia para alterá-los, seria possível mudar características no embrião somente por fins estéticos, como cor dos olhos, cabelo, e só então implantá-lo no útero para o início da gestação. Desse modo, teríamos sociedades inteiras de OGM’s (organismos geneticamente modificados), que, pautadas em racismo e preconceitos, resultariam em nações homogêneas, a humanidade perderia progressivamente sua pluralidade.
Além disso, por ser uma tecnologia recente e sofisticada, grande parte das pessoas não teriam acesso à ela, em destaque, populações carentes, que não possuem o básico, como saneamento básico e comida adequada. Sob esse viés, somente crianças ricas usufruiriam de tais benefícios, sendo naturalmente mais saudáveis, fortes, habilidosas, aumentando assim, ainda mais as desigualdades sociais.
Portanto, para que a Biotecnologia possa cumprir seu propósito de melhorias na vida humana de maneira ética, é necessário que o poder Legislativo estabeleça, por meio de leis, uma padronização dos preços desses serviços, com a finalidade de evitar abuso empresarial, para que seja alcançável para todas as classes sociais. Ademais, no cenário global, é necessário que sejam estabelecidas regras baseadas na ética médica pela Organização Mundial da Saúde, que permitam somente alterações em características genéticas que causariam sofrimento ao indivíduo, como doenças ou síndromes, proibindo alterações em casos estéticos, garantindo assim, a pluralidade da humanidade.