Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 27/04/2020

Com o advento da revolução científica, o homem passou a se interessar cada vez mais pela ciência e pelos avanços tecnológicos. Na década de 1990, deu-se início ao Projeto Genoma Humano, responsável pelo sequenciamento do DNA, o que possibilitou os principais avanços da biotecnologia, tais como a descoberta precoce de doenças e a produção de organismos geneticamente modificados. No entanto, muitos fatores dificultam a conciliação entre a biotecnologia e a ética, entre eles os riscos representados pela manipulação genética e o desconhecimento dos impactos que a biotecnologia pode causar.

Em primeiro lugar, a biotecnologia e a manipulação genética abrem espaço para o reaparecimento de discursos eugenistas, isto é, que defendem o melhoramento da espécie humana a partir da eliminação de características consideradas indesejáveis. O livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, narra a história de uma sociedade em que todos os indivíduos passam por um pré-condicionamento biológico de acordo com sua posição hierárquica. Sendo assim, o uso da biotecnologia com o propósito de melhoramento genético e o possível surgimento de uma nova forma de discriminação, a genética, representam entraves éticos ao uso da biotecnologia.

Por outro lado, a engenharia genética possibilitou diversos avanços na medicina e na agricultura. Assim, doenças que antes eram impossíveis de ser curadas, agora podem ser facilmente resolvidas a partir da manipulação genética. Além disso, a produção de organismos transgênicos foi responsável pelos grandes avanços na agricultura e pelo aumento da produtividade. Porém, os impactos do uso da biotecnologia no meio ambiente e nas futuras gerações ainda são desconhecidos e podem apresentar resultados catastróficos.

Logo, é fundamental que limites sejam criados a fim de que seja possível conciliar ética e biotecnologia. Para isso, é fundamental que o Ministério da Ciência e Tecnologia, em conjunto com o poder judiciário, amplie a fiscalização acerca do uso da biotecnologia e crie debates para discutir os limites que devem ser impostos para garantir o bem estar social e a preservação ambiental frente ao uso das ferramentas da engenharia genética. Além disso, é dever das universidades formar cidadãos éticos e que saibam respeitar os limites da ciência, por meio de aulas de ética e cidadania, utilizando-a de maneira a proporcionar o bem comum e o respeito dos direitos humanos e do meio ambiente. Somente assim será possível usufruir das vantagens da biotecnologia de maneira ética e segura.