Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 29/04/2020
Na obra “O Admirável Mundo Novo”, há a ilustração de uma distopia, na qual os indivíduos são desenvolvidos geneticamente para ocupar determinado cargo dentro da sociedade, inibindo-se, assim, sua autonomia. Para evitar desastres deterministas como os do livro, a bioética surge como solução para barrar e repensar os avanços e controle da biotecnologia na população. Os desafios dessa prática moral envolvem os possíveis efeitos dessa regulação gênica e a proteção das pessoas contra atentados desumanos. Cabe, então, analisar a importância da presença da bioética na sociedade.
Em uma primeira perspectiva, sob a ótica científica, o desconhecimento dos efeitos nocivos dessa prática a tornam um entrave para sua ampla utilização. Isso porque os resultados negativos das experiências de biotecnologia costumam aparecer à longo prazo, uma vez que há a alteração de estruturas gênicas, as quais só manifestam seu agravamento após a acumulação no corpo do indivíduo. Por exemplo, antes de se conhecer os malefícios do elemento Rádio, essa estrutura radioativa era utilizada como tinta para os ponteiros de relógio, cabendo aos funcionários sua manipulação. Nessa perspectiva, a ausência de noção dos prejuízos no futuro causou danos às pessoas envolvidas, logo, a bioética traz a possibilidade de reduzir a exposição a esses químicos.
Ademais, vale ainda ressaltar que o receio da população sobre a biotecnologia ergue-se como outro desafio para sua conciliação com a ética. Isso ocorre devido à anos de exploração dos povos marginalizados, que em diferentes épocas da história, foram utilizados como verdadeiras cobaias científicas. Nesse cenário, a ética torna-se necessária para combater e inibir a reprodução de práticas desumanas, a exemplo dos laboratórios nazistas, os quais usaram judeus para testar suas teorias. Além disso, a conciliação da ética com a biotecnologia, permite barrar a pré-seleção gênica, o que evitaria a criação de uma nova forma de desigualdade, tal como ocorreu em " Admirável Mundo Novo."
Torna-se evidente, portanto, que os obstáculos para conciliar a biotecnologia e a ética possuem raízes históricas, haja vista o grande abuso por parte dos pesquisadores sobre as pessoas que foram usadas como verdadeiras cobaias. Para reverter esse quadro é preciso que a Organização Mundial da Saúde faça, em parceria com os Tecnopólos dos países, a devida fiscalização dos métodos utilizados para novas pesquisas, a partir do contato constante com o grupo que aceitou participar do teste. Por meio de canais de comunicação na internet, os quais possibilitem a denúncia e a regular atualização do estado da pessoa. Espera-se, assim, que a ética faça parte de todas as novas experiências genéticas e, dessa maneira, a distopia esteja presente apenas no plano ficcional.