Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 02/05/2020

O filme “Gattaca” retrata um futuro distópico em que os casais podem ter filhos geneticamente selecionados, o que acaba por gerar uma grande desigualdade social entre estas pessoas, mais privilegiadas, e os indivíduos que são concebidos de forma natural, os chamados Inválidos. Tal obra cinematográfica, embora fictícia, revela os desafios da conciliação da biotecnologia e a ética, uma vez que nela a ciência, por meio da genética, define a posição que o indivíduo ocupa na sociedade. Logo, torna-se necessária a análise dos princípios que regulam as experiências científicas bem como dos usos que são feitos de suas descobertas.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que as experiências científicas realizadas nos seres humanos devem sempre priorizar a saúde e o direito de escolha daqueles que participam do estudo. Assim, por exemplo, um medicamento ou uma vacina não pode ser testado em uma pessoa sem a sua autorização, por maiores que sejam os benefícios deste teste para a ciência. Dessa forma, respeita-se a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que garante à todos o direito à liberdade.

Além disso, observa-se que muitas descobertas científicas têm as suas finalidades desviadas para ações antiéticas. Um bom exemplo disso é o uso da energia nuclear que, ao mesmo tempo que possibilitou a produção de energia elétrica com um baixo impacto ambiental, foi utilizada na fabricação da bomba atômica, uma arma extremamente letal. Desse modo, reforça-se o dilema existente entre o desenvolvimento da tecnologia e a preservação da vida humana.

Portanto, é necessário que medidas sejam tomadas para solucionar esse problema. Cabe ao Ministério da Justiça, por meio da criação de leis específicas sobre a bioética, fiscalizar as experiências científicas, a fim de permitir o avanço da tecnologia sem desrespeitar os limites éticos. Somente assim, o cenário retratado em “Gattaca” se limitará à ficção.