Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 17/05/2020
Inegavelmente, o biólogo Gregor Mendel foi o precursor dos estudos relacionados aos genes, os quais culminaram na formulação de leis básicas da transmissão de caracteres hereditários. Desde então, graças à tecnologia, inúmeros avanços nessa área foram possibilitados, entretanto, as vantagens da modificação genética esbarram na imprevisibilidade de seus efeitos e na utilização abusiva dessa prática. Portanto, urge o debate acerca dos desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética.
Nesse contexto, à luz da Biologia, a engenharia genética está presente no cotidiano desde a ingestão de um alimento transgênico, possuidor de genes de outro ser vivo, até o tratamento de condições patogênicas, como a diabetes, em que bactérias incorporam a proteína produtora da insulina e são introduzidas no indivíduo. Sob esse viés, dada sua devida importância, é necessário mencionar as críticas aos Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s), pautadas no fato de que a ingestão dos mesmos pode produzir reações alérgicas e desencadear processos cancerígenos, pela possibilidade de serem reconhecidos como um antígeno pelo sistema imunológico. Logo, é imprescindível que os responsáveis pela produção de tais produtos combatam a falta de conhecimento da população sobre o que eles são e o que podem causar, a fim de assegurar sua ética profissional.
Ademais, cita-se que o melhoramento genético tem como um de seus principais desafios o debate acerca da Eugenia, um movimento difundido durante o nazismo de Hitler, que tem como objetivo o aperfeiçoamento da raça humana. A exemplo disso, sob a vertente fictícia, a série “Orphan Black” retrata a clonagem de uma mulher afetada pelas consequências desastrosas advindas da falta de ética de profissionais que desafiam e banalizam a vida em busca de prestígio e reconhecimento. Nesses termos, apesar dos inúmeros benefícios advindos da Biotecnologia, é de suma importância a explicitação de seus entraves e o estabelecimento de limites para tal.
Portanto, posto que a engenharia genética tem lugar incipiente nas discussões da sociedade, e que o seu desconhecimento pode causar graves consequências, urgem medidas. Primeiramente, são necessários investimentos do Governo nos polos tecnológicos brasileiros, as Universidades, e ofereça bolsas de iniciação científica, a fim de fomentar os estudos acerca das consequências do uso de OGM’s, pois, dessa maneira, se fortalecerá a disseminação do assunto no meio acadêmico e, posteriormente, à população em geral. Por fim, é fundamental que as escolas, mediante a disciplina de Biologia, incentivem a discussão sobre a Biotecnologia e seus limites de atuação, com o fito de propiciar a exigência dos cidadãos de Ética perante a comunidade científica, afinal, somente assim, a Genética seguirá apenas por vertentes positivas, como prenunciado por Mendel.