Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 12/06/2020
No filme “Jurassic Park”, um filantropo bilionário e uma pequena equipe de geneticistas criam um parque temático, onde as atrações são espécies de dinossauros recriados por intermédio da engenharia genética. De maneira análoga, a realidade se mostra um reflexo da ficção apresentada pois, apesar de não ser possível reproduzir os animais jurássico a manipulação dos genes já é uma realidade. Nesse contexto, entende-se que a falta de legislação e questões socioculturais contribuem para a manutenção dos desafios na conciliação da biotecnologia e da ética.
Em primeiro plano, pode-se perceber como impasse à consolidação de uma solução, a lacuna legislativa. De acordo com Umberto Eco, “Para ser tolerante é preciso fixar os limites do intolerável”. Nesse sentido, percebe-se uma brecha, explicitada pela ausência de uma legislação adequada. Assim, sem base legal, ações de remediação são impossibilitadas, o que acaba por agravar ainda mais a questão da preocupação moral com relação a ciência.
Ademais, um dos obstáculos que impedem a conciliação dos dois fatores são as questões culturais, a exemplo da religião. Nesse sentido, a novela “O Clone” expressa por meio do personagem Albieri a inquietação e a dúvida sobre o tema, “Seria um milagre de Deus ou uma cilada da vaidade humana?”. Sob essa óptica, é possível perceber que a questão da falta de avanços no campo da biotecnologia é fortemente influenciada pela tradição coletiva, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante ao novo, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Portanto, só será possível superar os desafios supramencionados, com relação aos conflitos entre a ciência e a ética, com a ação do Estado. Sendo assim, cabe à comissões da Câmara e do Senado agirem em parceria na criação de uma legilação específica para o campo da biotecnologia, por meio de consultas públicas, que devem ser amplamente divulgadas pelos veículos de comunicação e pelas redes sociais, podendo assim envolver a sociedade civil de maneira ativa no que concerne a tomada de decisões. Dessa forma, o Brasil estará mais próximo de garantir a harmonia da população tanto na esfera privada quanto pública.