Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 20/05/2020

O avanço tecnológico fez com que computadores que antes ocupavam uma sala inteira, agora caibam na palma das mãos. Tecnologias de ponta, em questão de alguns anos, se tornam experiências de fundo de quintal. Tal processo de simplificação da prática científica é retratado no episódio “Editando a Vida”, da série “Seleção Artificial”, no qual um americano realiza experimentos de modificação genética com cachorros no canil de sua casa. Na tentativa de produzir cachorros fluorescentes, o cientista se aproxima de uma linha tênue da ética nas práticas científicas.

Primeiramente, vale ressaltar engenharia genética, um ramo com cada vez mais investimento, devido aos seus impactos na produção. Um dos maiores produtos de exportação brasileira, a soja, é na esmagadora maioria dos casos é transgênica, ou seja, geneticamente modificada. Tal modificação, socialmente aceita e incentivada, aumenta a produtividade, possibilitando ser o principal componente na ração de bois, frangos e porcos. Animais estes, produtos de consumo humano, também já são geneticamente alterados desde 2013, quando nasceu o primeiro boi transgênico. Ademais, além dos transgênicos e para fora das séries, vemos o episódio da “Dolly”, a primeira ovelha clonada com sucesso.

Com as rédeas da modificação genética e da clonagem, nasce o desejo de supostamente “corrigir” o ser humano, afinal, agora é possível escolher quanto a cor dos olhos de indivíduos. Todavia, tal interferência é análogo ao nazismo de Adolf Hitler, visto que artificialmente seleciona as características desejadas. Ademais, assassina a natureza, a diversidade e a humanidade em nossa sociedade. Infelizmente, já houve o caso de um médico chinês, mais tarde condenado, que alterou os genes de um casal de bebês afim de torná-las imune a doença hereditária do pai.

Assim, é de extrema urgência que hajam conferências internacionais promovidas pelos governos e pela OMS, as quais visam compreender e estabelecer os limites éticos da ciência. Com a presença de cientistas do ramo, filósofos e juízes é necessário que se haja um debate acerca de práticas da seleção artificial (fora das telas) humana, assim como a penalidade aplicada a quem as pratica.