Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 22/10/2020
René Descartes, filósofo francês, decidiu realizar uma trajetória acadêmica sem os “erros” de conceitos epistemológicos de seus antepassados e formulou um método para averiguar a veracidade de suas teorias. Dessa forma, séculos atrás o método científico começara a ser desenvolvido e potencializou um avanço inimaginável para as sociedades mundiais. Porém, atualmente, esse desenvolvimento da ciência, principalmente da biotecnologia, alcança patamares sensíveis que, em alguns casos, conflitam com a ética humana. Assim, vê-se que esses desafios de conciliação se dão na possibilidade de uma nova segregação racial e na incerteza de riscos à saúde no caso da agricultura.
Em primeiro plano, ganha particular relevância o perigo eminente do retorno de ideias segregacionistas devido aos avanços da biotecnologia nas sociedades atuais. É sabido que, por volta dos anos de 1930 os movimentos fascistas ganharam força, mesmo depois do fim da escravidão. Em meio à isso, o governo nazista de de Adolf Hitler, apoiado pela população, mostrou ao mundo que um dos maiores objetivos do movimento era a soberania e disseminação da raça ariana. Portanto, pode-se analisar que, apesar das sociedades terem “superado” preceitos de divisão racial, ainda é possível que ideias retrógradas tornem a ganhar forças e, atualmente, as evoluções tecnológicas permitem isso. Contudo, a escolha das características gênicas de um filho, ou alteração do próprio corpo humano, possibilitadas pela biotecnologia, podem fomentar o imaginário de uma raça perfeita e confrontar a ética.
Em segundo plano, cabe ressaltar a dúvida em relação aos riscos causados ao corpo humano por produtos modificados geneticamente. Em uma matéria publicada pelo jornal “The New York Times”, sobre alimentos transgênicos, é explanado o conflito entre cientistas sobre os efeitos desses, negativos ou não, à saúde humana, e afirma ainda que para garantir essas certezas são necessárias décadas de estudos caros. Portanto, utilizar alimentos biologicamente alterados em seres humanos sem a comprovação de sua segurança é um problema ético, visto que estes são livremente comercializados e possivelmente podem ser danosos à população, o que poderá ocasionar em problemas futuros para toda uma geração.
Diante desse cenário, são necessárias ações que, ciente dos principais desafios existentes para a conciliação da biotecnologia e a ética no mundo, busque minimizar esse quadro. Cabe à Organização Mundial da Saúde a tarefa de garantir, através de reuniões entre representantes de cada país, que esses promovam leis nacionais de direcionamento do uso da biotecnologia e de pesquisas científicas na área de transgênicos. Desse modo, o uso da edição gênica será restrito ao tratamento de doenças, o que irá reduzir as possibilidades de uma segregação racial e o estudo aprofundado no setor agronômico da transgenia irá garantir que a população mundial esteja saudável e a tecnologia caminhe paralela à ética.