Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 02/06/2020
A Segunda Guerra Mundial foi palco de imensas revoluções militares que ameaçam até hoje a humanidade e também de experimentos médicos evasivos contra os judeus, envolvendo o regime nazista. Tais atrocidades levaram Walter Benjamin a conclusão de que a tecnologia, por mais confortável e tentadora que seja, também poderá destruir o mundo. Todavia, os avanços da ciência permitiram aumentar a expectativa de vida da população, bem como a qualidade dessa vida. Nessa tentativa de conciliação entre biotecnologia e a ética, o fundamental é prevalecer o bom-senso e a valorização dos direitos.
A priori, é necessário compreender que os indivíduos têm direitos invioláveis e nenhuma tecnologia pode estar acima disso. Nesse cenário, o livro “Frankenstein” de Mary Shelley decorre dos males que a biotecnologia pode trazer ao mundo- no caso da obra, a criação de uma nova vida trouxe apenas tristeza, por está despossuir direitos, valor e, logo, felicidade. Paralelamente a isso, fica claro a necessidade de haver uma regulamentação da ciência que assegure à sociedade a possibilidade de consentimento a respeito das inovações, não permitindo-a de ser cobaia da revolução científica.
Destarte, a utilização da tecnologia, se com bom-senso, pode ser o fator que eliminará do mundo os conflitos e proporcionará justiça. Consoante a isso, o uso de alimentos transgênicos , por exemplo, pode acrescentar aos alimentos uma carga de nutrientes substancial e necessária para a capacidade de mitigar, a fome no mundo. Em suma, a tecnologia pode tornar o mundo mais justo, erradicar doenças, e trazer qualidade de vida, mas, novamente, apenas se regulamentada, pois afinal, de que vale o uso de transgênicos se para aumentar a resistência de culturas à agrotóxicos e, assim, prejudicar a vida humana.
Portanto, pode-se concluir que a biotecnologia pode ser desastrosa para o mundo, mas apenas se não estiver conciliada com a ética. Para isso, é necessário que a ONU (Organização das Nações Unidas) crie uma nova Declaração dos Direitos Humanos, sendo que mais atual e que configure em seus termos princípios da Bioética como a necessidade de consentimento dos indivíduos na participação desses experimentos. Também é necessário que os direitos da declaração inicial sejam enfatizados no contexto atual, buscando-se a valorização da vida e das garantias que essa possui. Assim, a previsão de Walter Benjamin não irá se concretizar e, finalmente, a humanidade poderá usar a ciência para o bem.