Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 29/06/2020
No livro “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratado um mundo perfeito, cujo corpo social caracteriza-se pela ausência de problemas. Fora do parâmetro ficcional, no entanto, isso não é uma realidade no mundo atual, onde os desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética ainda são marcantes. Nesse sentido, não há dúvidas de que o desigual acesso a essa tecnologia e as reflexões negativas dessa atividade na sociedade servem como impulsionadores da problemática.
Precipuamente, é importante destacar que a acessibilidade à Biotecnologia, em um parâmetro contemporâneo, não é socialmente igualitária. Segundo o programa da Universidade de São Paulo “USP Talks” , avanços tecnológicos no meio da saúde, tais como a Biotecnologia, são extremamente caros e reservados a uma pequena parcela da população que pode pagar. Desse modo, gera-se um segmento que tende cada vez mais a estreitar o acesso à saúde no meio social. Nessa perspectiva, torna-se imprescindível a criação de políticas que visem o extermínio desse empecilho.
Outrossim, as várias controvérsias e inseguranças, no que diz respeito a reflexão negativa da biotecnologia no meio social, impedem a consolidação desse artifício. Consoante o sociólogo francês Émile Durkheim, a natureza humana é moldada pela sociedade que a rodeia. Dessa forma, um corpo social restrito, que dispões de prevenções biotecnológicas, gerará descendentes pré-dispostos a pensamentos reclusivos aos que não foram dispostos a essas prevenções; ou seja, surgirá uma nova estratificação social.
Faz-se necessário, assim, que o Tribunal de Contas da União libere verbas para que essas, por meio do Ministério da Saúde, possam ser direcionadas a desenvolvimentos biotecnológicos como pesquisas e testes rígidos ,garantindo ,assim, uma maior qualidade e barateamento da tecnologia. De forma simultânea, é fulcral que haja a inserção desse modal tecnológico nos meios públicos como hospitais e instituições de tratamento, por meio do Sistema Único de Saúde, por exemplo, para atender à parcela populacional menos favorecida financeiramente garantindo, por consequência, uma adesão de toda a população a essa inovação. Com isso, aproxima-se do mundo perfeito de More.