Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 08/06/2020
Na série norte-americana Westworld, o progresso tecnológico da civilização possibilitou o alcance imortalidade, por meio da codificação de um humano durante a vida. Apesar de fictício, o cenário demonstra o quanto o homem ambiciona o aprimoramento da biotecnologia. Contudo, a discussão sobre o aspecto ético é um empecilho, pois o conservadorismo e a falta de comunicação entre os meios acadêmico e popular impedem o desenvolvimento da ciência.
Segundo a teoria do sociólogo Èmile Durkheim, a sociedade vive rodeada de fatos sociais, os quais são coercitivos e exteriores aos indivíduos. Nesse sentido, a mudança é sempre reprimida, pois a tradição é imposta inconscientemente sob a população. Assim, há o embate entre ideologias, de forma que a revolução almejada por alguns seja sucumbida pela discordância de outros. Exemplificando, têm-se a pesquisa no campo da medicina, em especial àquela com utilização de células-tronco. Embora haja indícios que essa possa trazer inúmeras vantagens, tal como a cura para diversos tipos de câncer, alguns grupos realizam protestos contrários, motivados pela religiosidade, o que demonstra a coerção citada pelo pensador.
Outrossim, é fato que o meio acadêmico é desconhecido pela maioria da população, visto que tende a ser excludente. Em particular, a linguagem técnica desfavorece a transmissão do conhecimento, o que resulta na falta de aceitação das pessoas ao tratar-se de temas inovadores, afinal, a ignorância é o embate da evolução. Ademais, não se trata da falta de mediadores, posto que, com o advento da internet, a comunicação é instantânea e global. Com esse objetivo, o biólogo Átila Iamarino, por exemplo, faz proveito de suas redes sociais, principalmente o Youtube, para divulgar estudos de forma didática e simplificada para seus espectadores. Entretanto, iniciativas como essa ainda são raras, o que torna a sapiência elitizada.
Em suma, para conciliar a biotecnologia e a ética, é preciso superar o tradição e promover o debate. Portanto, é dever do Estado garantir que a religião, principal fonte do conservadorismo, não interfira nas decisões políticas. Para tal, o Governo Federal necessita proibir que os políticos do Poder Executivo e Legislativo realizem ações com justificativas religiosas, o que deve ser possibilitado pela reformulação das leis, com determinação de pena para o dito crime. Por fim, é vantajoso que universidades e centros de pesquisa façam divulgação de seus projetos, mediante o uso das plataformas online, com o fito de tornar a ciência acessível. Dessa maneira, o debate passa a ser coletivo e embasado corretamente, contribuindo para o progresso tecnológico.