Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 06/07/2020

Ao avaliar que ¨a ciência pode ser usada para construir um mundo melhor¨ o sociólogo Auguste Comte estimula um debate acerca dos benefícios com a experimentação científica. Hodiernamente, é notório os avanços garantidos por pesquisas e inovações tecnológicas, como o presente na área da biotecnologia, contudo, alimentos transgênicos e procedimentos de fecundação humana com intervenção artificial, geram uma discussão acerca dos limites da ciência por divergirem da moral social.

Concernente à temática de produtos alimentícios modificados geneticamente, há um empasse quanto ao avanço desse procedimento no setor agrícola. Essa premissa é relacionável aos impactos negativos para o meio ambiente com a utilização de plantas transgênicas como a ¨poluição genética¨ desses organismos, além de possíveis intoxicações de consumidores na ingestão de recursos modificados, o que afeta a ética de empresas do ramo agroindustrial, que visam por essa biotecnologia elevar a produção de insumos e a resistência das plantações. Dessa maneira, há uma divergência na aceitação por consumidores dos avanços da engenharia genética, devido à insegurança quanto as técnicas utilizadas.

Ademais, a geração de seres humanos a partir de meios laboratoriais é uma pauta polêmica pela oposição a princípios éticos sociais. Essa assertiva é constatada no caso da primeira criança curada de uma doença antes do nascimento, ocorrido em 2009, que foi realizado no Hospital de Londres, sendo tal evento impulsionador na realização de modificações genéticas durante o processo de desenvolvimento do indivíduo, com o objetivo de selecionar características específicas, inclusive estéticas. Tal fator ressalta a questão dos limites da ciência por desnaturalizar o processo de fecundação, ainda que haja benefícios como o impedimento da manifestação de patologias. Desse modo, é perceptível que o avanço biotecnológico possui uma interferência dos valores sociais.

Portanto, é imprescindível ações educativas e governamentais acerca do uso da biotecnologia na contemporaneidade. Para tanto, o Ministério da Saúde deve, mediante a análise do processo de produção alimentícia, seguir as normas de saúde para evitar intoxicações com esses produtos agroindustriais, a fim de garantir um consumo seguro para a população. Outrossim, as escolas devem trabalhar a consciência coletiva frente as consequências da biotecnologia, com o intuito de elucidar os efeitos positivos dessa área e auxiliar na fomentação de um ponto de vista individual acerca dessa temática. Logo, como o exposto pelo sociólogo Auguste Comte, a ciência será mais desenvolvida, gradualmente, a partir de valores éticos.