Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 29/06/2020

Durante a década de 80, o desenvolvimento da engenharia genética permitiu a formação da insulina humana sintética a partir da recombinação gênica de bactérias, a qual tinha por intento melhorar a qualidade de vida dos portadores de Diabetes Mellitus e aumentar a expectativa de vida mundial. Voltando-se à contemporaneidade, é cognoscível que a utilização da biotecnologia é imprescindível para a formação da sociedade moderna, entretanto,  o uso indiscriminado dessa tecnologia traz nocivos efeitos a população mundial. Sendo assim, faz-se necessário  regular a utilização da engenharia genética nos moldes capitalistas e reduzir os experimentos de interação gênica entre animais.

Vale ressaltar, de início, que, no Brasil, estima-se que haja o desaparecimento do genoma da soja nativa nos próximos 100 anos. De acordo com um levantamento feito pela EMBRAPA, publicado em 2015, cerca de 30% da soja utilizada no país é transgênica e, aproximadamente, 80% da soja nativa será trocada pela soja modificada geneticamente nos próximos 30 anos. À vista disso, é notório que a busca capitalista por uma maior produtividade e rentabilidade podem trazer efeitos negativos ao estarem associados ao uso de biotecnologias que, em compêndio, pode ocasionar a extinção de espécies e a desregulação da cadeia trófica nacional.

Em segundo plano, nota-se que o uso indiscriminado de recombinações genéticas em animais pode ocasionar assimetrias entre as espécies do mesmo gênero. Nesse viés, o desembargador do Tribunal do de Justiça de São Paulo, Renato Nalini, aponta o uso desregrado de biotecnologias como um dos principais problemas a serem enfrentados pela sociedade moderna, uma vez que pode gerar desordens em todo um ecossistema. Nesse espectro, é entendível que é preciso haver uma maior legislação voltada para essa utilização científica, visto que a prática desordenada desse método tecnológico pode ocasionar anomalias biológicas. Logo, faz-se necessário a discussão profícua para combater tais problemáticas, pois, conforme Albert Schweitzer, filósofo e médico alemão, “o erro da ética até o momento tem sido a crença que só se deve aplicá-la em relação aos humanos.”

Em suma, medidas são essenciais para conciliar a biotecnologia e ética. Primordialmente, a Organiza- ção das Nações Unidas deve promover projetos científicos que vise abranger as indústrias farmacêu-ticas e as voltadas para o agronegócio mundial, a qual a finalidade é promover palestras e minicursos com sociólogos e pesquisadores, cujo objetivo é informar acerca do uso indiscriminado de biotecnolo-gias e reforçar a importância da ética na prática científica. Ademais, ONGs, engajadas em questões so-ciais, devem promover lives com sociólogos, com o desígnio de articular a reflexão e a conscientização da temática pela população mundial. Sendo assim, ações desse tipo garantirão um futuro sustentável.