Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 26/07/2020
A descoberta do DNA e do código genético fez com que o melhoramento gênico passasse do nível visual para o nível molecular. Neste sentido, o melhoramento induzido dos seres vivos passou a ser alvo de debates acerca dos riscos de o mesmo violar os princípios da ética. Dentre tantos fatores relevantes, destacam-se: o doping genético nas competições esportivas e a utilização de plantas transgênicas na agricultura.
Primeiramente, o emprego do upgrade genético na agricultura possibilitou além da criação de plantas resistentes a pragas e herbicidas, também possibilitou com que as mesmas fossem cultivadas em ambientes que antes não poderiam se desenvolver por haver o predomínio de climas desfavoráveis. Nesse contexto, dados revelados pela ONU (Organização Mundial de Saúde) mostrou que mais de 800 milhões de pessoas estão sofrendo com a falta de alimentos. Evidencia-se, portanto, que não se pode abrir mão dos benefícios da plantio dos gêneros transgênicos – como a possibilidade de aumentar a produção de alimentos e consequentemente abaixar o preço deles no mercado - enquanto houver quase 1 bilhão de indivíduos passando fome no mundo.
Por outro lado, uma das principais preocupações que envolvem esse processo da biotecnologia é o chamado doping genético, o qual permite que atletas geneticamente modificados possam competir ,apresentando grandes vantagens contra seus adversários, sem serem pegos nos exames convencionais de doping. Nesse sentido, Bernardinho, técnico e campeão mundial pelo Brasil, já dizia que vencer é fruto de uma boa preparação. Dessa forma, constata-se, que essa atitude antidesportiva fere os princípios da ética e prejudica todo o meio esportivo e o que ele representa para a sociedade.
Portanto, é necessário salientar que o melhoramento genético forma uma linha tênue entre o bem e o mal social. Nessa lógica, é imprescindível que a ONU (Organização das Nações Unidas) crie sanções , de forma que pressione governos do mundo todo a limitarem a atuação das modificações nos genes dos seres vivos, afim de evitar que o uso extrapole as fronteiras da ética . Desse modo, será possível concentrar os esforços dos cientistas nas resoluções dos problemas humanitários.