Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/07/2020

O filme norte americano “Gattaca”, de 1997, conta a história de uma sociedade onde a engenharia genética é crucial para determinar o futuro de cada ser humano. Na obra, o termo “God’s child” é utilizado para denominar aqueles considerados inferiores, que não foram concebidos artificialmente. Fora da ficção, existem dilemas sociais que analisam até aonde pode-se explorar questões envolvendo a tecnologia e a ética. Deste modo, cabe analisar a importância da biotecnologia para a humanidade e os riscos que envolvem o manuseio do homem com o ambiente ao seu redor.

Mormente, vale ressaltar que junto com a evolução do ser humano, são desenvolvidas técnicas que visam o aprimoramento da qualidade de vida. No período neolítico, com a revolução agrícola, os homens desenvolveram métodos de plantio e seleção artificial que os levaram ao sedentarismo e melhor qualidade de vida, dominando a natureza para o bem próprio. Junto com o desenvolvimento da tecnologia, ficou cada vez mais fácil a manipulação do meio ambiente, uma vez que os artifícios tecnológicos auxiliam na obtenção conhecimento científico. Durante a Primeira Guerra Mundial, por exemplo, com a descoberta do antibiótico penicilina, milhares de vidas foram salvas.

Sob outro ângulo, é imperativo ressaltar que a utilização do conhecimento científico para o aprimoramento da qualidade de vida humana traz contradições em relação ao modo que é utilizado. Existem diretrizes éticas que analisam até aonde o uso da biotecnologia é saudável. O uso indiscriminado do poder científico pode ser prejudicial quando utilizado de forma imprudente, como o que aconteceu, por exemplo, durante o Terceiro Reich no movimento eugenista. Com objetivo de “melhorar” a raça humana, os nazistas adotaram formas de beneficiamento das características genéticas, utilizando a eutanásia e a esterilização, além de diversos experimentos extremamente invasivos sem consentimento. No livro “Ética Prática” do filósofo Peter Singer são citados conceitos como consciência e senciência, que precisam estar em harmonia para que o uso da biotecnologia não seja nocivo aos seres vivos.

Dessa forma, tendo em vista que esse é um problema recente e mundial, cabe que medidas sejam tomadas para conciliar a biotecnologia e a ética, assim criando um equilíbrio entre a natureza e o manuseio humano. É necessário que o governo crie leis de controle à manipulação genética, e que sejam realizadas fiscalizações em laboratórios para garantir que o trabalho científico seja feito de modo prudente, respeitando os direitos humanos e a saúde daqueles envolvidos nos estudos. Assim, serão evitados possíveis problemas que afetariam o desenvolvimento natural da humanidade e do meio ambiente, impossibilitando uma realidade semelhante à “Gattaca”.