Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 31/07/2020
Os avanços tecnológicos são capazes de mudar completamente a sociedade: a invenção do arado de ferro permitiu, na Idade Média, o aumento da produção, criando possibilidades para o comércio, a criação das máquinas à combustão, na Primeira Revolução Industrial, permitiu uma dinamização dos modais de transporte e o surgimento do mundo digital revolucionou a comunicação na sociedade. Porém, nem sempre essas mudanças são totalmente vantajosas, como é o caso da Biotecnologia, que, apesar de ter possibilitado a cura de várias doenças e o aumento da produtividade agrícola, possui uma forte embate ético, visto que a existência de técnicas de melhoramento genético pode gerar uma sociedade ainda mais desigual e injusta. Dessa forma, os estudos nessa área têm grandes potenciais de melhorarem a vida humana, porém deve-se evitar ações que negam princípios de igualdade.
Dentre as significantes conquistas que a sociedade obteve através da Biotecnologia destaca-se a Revolução Verde. Isso ocorre, pois, no século XIX, o economista Thomas Malthus desenvolveu uma teoria, posteriormente denominada de Malthusianismo, que indicava que a população humana aumentava de forma exponencial, enquanto que a produção alimentícia crescia algebricamente, logo seria impossível manter todos os habitantes terrestres alimentados em futuro próximo. Evidentemente, essa tese não se consolidou, já que as ciências biológicas geraram avanços responsáveis pelo aumento da produtividade agro-pecuária. Além disso, a Biotecnologia é muito útil em vários outros setores, como a saúde, por meio da capacidade de se criarem vacinas e medicamentos, destacando-se, por exemplo, a certificação da OMS, em 1980, reconhecendo que a varíola fora erradicada por meio da vacinação.
Porém, como foi supracitado, o uso indiscriminado dessas técnicas, principalmente as relacionadas ao melhoramento genético, é capaz de gerar grandes desigualdades. Esse fato é recriado no filme Gattaca, que mostra uma realidade em que as pessoas têm suas funções na sociedade definidas de acordo com sua “perfeição genética”, já que, na história, as famílias ricas podem comprar um filho que atendem exatamente as características consideradas ideais, enquanto que os pobres têm suas individualidades físicas e mentais definidas na sorte. Portanto, observa-se que essa concepção de futuro é muito injusta, sendo necessário que os cientistas atuais desenvolvam as novas tecnologias de maneira ética, de forma que tal suposição de sociedade futura não se concretize.
Frente ao exposto, a Biotecnologia é muito útil à humanidade, porém esses avanços, se mal empregados, podem causar diversas desigualdades sociais. Portanto, para garantir a ética na implementação dessas tecnologias, a ONU, como maior representante internacional deve