Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 05/08/2020

A “Revolução Verde”, ocorrida no final do século XX, foi o período em que diversas técnicas foram desenvolvidas para melhorar a agricultura, utilizando a biotecnologia para esse fim. Na hodiernidade,  essa tecnologia é utilizada em diversas outras áreas, contudo, surgem debates como a conciliação de seu uso com a ética, o qual esse se estabelece pela inexistência de limites dentro dos campos de atuação e por discordâncias quanto ao “melhoramento” genético de espécies.

Nesse ínterim, a falta de limitações nos setores em que a biotecnologia pode atuar é um dos precursores à problemática. Sobre esse viés, a medida em que esses métodos biotecnológicos se desenvolvem, as possibilidades de modificações genéticas se ampliam e, por conta da inexistência de legislações que abordem à temática, organismos cada vez mais modificados são criados, como a soja desenvolvida pela EMBRAPA- Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias-, a qual possui uma resistência a fatores ambientais muito alta. Com isso, por ser uma tecnologia recente, pesquisas ainda são inconclusivas, não especificando o quão prejudicial esses organismos podem ser à saúde, o que pode desencadear doenças e ocasionar um desequilíbrio ambiental, pela superpopulação de uma espécie por ser muito resistente ao meio em que ocupa.

Ademais, discordâncias quanto a modificação genética de seres vivos é outro fator determinante ao percalço. Nessa perspectiva, tal como os sofistas, filósofos pré-socráticos, defendiam não existir verdades absolutas, a discussão sobre o uso de tecnologias modificantes de genótipos não detêm de um consenso no meio científico, como no uso de vacinas gênicas, que geram proteínas estranhas ao indivíduo, a qual pode criar uma imunologia permanente, mas que pode desencadear uma sobrecarga imunológica, como exposto em artigos da OMS- Organização Mundial da Saúde. Dessa forma, muitos indivíduos se deparam com diversas situações as quais, por escassez de uma base científica, não pode consumir determinado produto ou se submeter a um tratamento, sendo impossibilitado deixar de adquirir determinada doença, a título de exemplo, infecções bacterianas.

Assim, percebe-se como a inexistência de limites e as contraposições repercutem em desafios na conciliação da biotecnologia e da ética. Desse modo, é necessário que órgãos como a OMS e a Organização da Nações Unidas para Agricultura e Alimentação estabeleça normas que limitem e justifiquem a  utilização da biotecnologia em diversas áreas, como a alimentícia- uso de plantas modificadas como milho e soja-, direcionamento verbas a instituições como a EMBRAPA, para a conclusão de pesquisas. Dessa maneira, tornar viável o abandono de preceitos sofistas e estabelecer um consenso para que a população possa usufruir desses meios com prudência e conhecimento.