Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 07/08/2020
Será que existem limites para o avanço da ciência? Atualmente a possibilidade de evitar pragas em lavouras, ou até mesmo escolher a cor dos olhos dos filhos, em laboratório indicam a grande evolução científica dos últimos anos. Entretanto, esse desenvolvimento ininterrupto leva à novos desafios para conciliar o progresso da biotecnologia com a ética e os direitos humanos. Assim, é necessário que se estabeleçam normas, a fim de evitar uma desumanização dos indivíduos perante a sociedade e seu desenvolvimento.
Sem dúvida, a oportunidade de eliminar doenças através do fertilização in vitro representa uma melhor expectativa de vida, e assim sendo, deve ser incentivada. Contudo, a interferência humana, quando voltada ao meio estético acaba caracterizando o processo como algo superficial, isto é, desvalidando toda a importância da fertilização in vitro para a medicina. Além disso, como defende o desembargador do Tribunal da Justiça de São Paulo, Renato Nalini, ao se elaborar um “design apropriado” para o filho, estão sendo feitas escolhas por alguém que não foi consultado, ademais, essa interferência seria irreversível, podendo acabar com a simetria genética.
Não só quando voltada ao meio estético, mas também o se ampliarem as colheitas e modificarem o plantio, a biomedicina apresenta um risco á saúde humana. Apesar de representarem um grande avanço na economia de países que dependem do setor primário, como o Brasil, que é o segundo maior exportador de alimentos geneticamente modificados do mundo, o aprimoramento dos alimentos em laboratório permite também um maior uso de agrotóxicos, que irão afetar diretamente os consumidores de produtos transgênicos e seus derivados.
Portanto, cabe ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, responsável por promover o agronegócio e a segurança alimentar do país, aliado ao Ministério da Saúde, fiscalizarem de forma mais rígida as aplicações da biotecnologia, com o intuito de garantir o avanço econômico e preservar a ética e os direitos humanos para todos, assim, evitando usos indevidos das tecnologias, ou que venham a apresentar algum risco a saúde da sociedade em geral.