Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 24/08/2020
Dentre os eventos mais importantes da humanidade, o principal foi a descoberta do homem por ele próprio. A partir do floreio do Renascimento no século XVI, diversas invenções impactaram a vida de milhões de indivíduos, modificando o modo como a sociedade interage entre si e com o seu meio. No entanto, o recente sucesso da biotecnologia tem suscitado muitas polêmicas em relação à sua aplicação na vida cotidiana. Problemas relacionados aos alimentos transgênicos e à manipulação genética provocam muitos questionamentos à respeito da conciliação entre a biotecnologia e a ética.
Um dos principais campos no avanço tecnológico certamente é no ramo da alimentação. Desde a evolução de métodos de plantio, colheita e fertilização, os alimentos se tornaram mais baratos, nutritivos e belos esteticamente graças à revolução transgênica. Todavia, um estudo de 2016 da Universidade de Yale apontou para uma significativa relação entre o consumo de alimentos desse tipo e a ocorrência de doenças pulmonares e câncer de intestino. Muitos especialistas concordam que diversas empresas promovem seus produtos como benéficos e baratos, mas sem advertir seus possíveis riscos. Ou seja, ao almejarem lucro em detrimento da saúde, grandes corporações cometem um grave crime ético.
Outra área extremamente importante que foi impactada pela evolução tecnológica foi a genética. Nos últimos anos, o desenvolvimento de variadas técnicas reprodutivas e de análise molecular permitiram que os pais escolhessem selecionar as características de seus filhos, como cabelo, cor do olho e altura. Apesar de muitos considerarem um avanço, outros receiam que tal possibilidade represente a volta do sentimento eugenista, linha de pensamento nazista marcada pela superioridade de certas características físicas em detrimento de outras. A utilização da ciência como ferramenta de segregação e racismo não pode e nunca será aprovada pela ética. Segundo o filósofo Jurgen Habermas, esse fenômeno pode ser entendido como uma ilusão do homem, em achar que dominou seu meio através do progresso tecnológico quando na verdade se trata de um domínio do homem sobre si mesmo.
Em suma, é sabido que a biotecnologia tem muito a oferecer para a sociedade, embora muitas questões devam ser questionadas de modo a não por em risco a vida das pessoas. Para que esse imbróglio seja resolvido, se faz necessário a criação de um comitê ético de cientistas e filósofos para debater e auxiliar o setor judiciário na tomada de decisões polêmicas. Dessa maneira, criar-se-á um ambiente mais seguro, íntegro e apto para a convivência dessas duas vertentes.