Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 20/08/2020
Durante a Segunda Guerra Mundial a prática da experimentação científica na população judia era recorrente, visto que judeus eram cobaias de métodos imorais e desumanos. Porém, a manipulação da biotecnologia apresenta diversos valores éticos, pois o melhoramento genético, seja em plantas ou embriões, já é comum, visando sempre um produto de melhor qualidade e com menor índice de pragas para os fregueses. Assim, são necessárias políticas públicas de segurança nesse contexto.
Em primeiro plano, nota-se que o manejo de genes na agricultura brasileira vem sendo intensificado, tendo em vista o constante desenvolvimento de plantas transgênicas, resistentes às pragas. Afinal, de acordo com o site G1, o país é o segundo maior produtor mundial de plantações geneticamente modificadas. Sob esse aspecto, percebe-se que a população corre riscos, pois há falta de investimento tecnológico, a fim de medir os efeitos desses alimentos no organismo. Logo, a possibilidade da associação entre o consumo de transgênicos e o câncer, por exemplo, na sociedade é negligenciada pela agroindústria que, assim, fere a segurança civil, em prol do lucro do agronegócio.
Além disso, fica nítido o raciocínio de Zygmunt Bauman, a respeito da fragilidade dos laços humanos, em sua obra Modernidade Líquida. Segundo esse raciocínio, percebe-se a falta empatia diante de cidadãos com algumas patologias como Síndrome de Down, por exemplo, pois a utilização da biotecnologia para descartar embriões com essas anomalias é cada vez mais aceita na esfera social. Desse modo, a falta de ética dessa prática sobrepõe o direito de vida dos mesmos, o que, inclusive, pode acarretar em situações de genocídio se medidas de segurança não forem impostas.
Em virtude dos fatos, urge que o Estado, por meio de recursos do Produto Interno Bruto, proporcione ofertas de bolsas assistenciais ao maior número de cientistas, promovendo a expansão do conhecimento a respeito dos efeitos de alimentos transgênicos, trazendo maior segurança aos civis. Ademais, é necessário que o Legislativo sancione leis que proíba o descarte de embriões por motivos insuficientes, só assim o ser humano não será utilizado como cobaia como foram os judeus.