Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 07/09/2020
O escritor Aldous Hurxley, ainda em 1964, apresentou à sociedade o livro que mais tarde se tornara um clássico dentre as distopias modernas: O admirável mundo novo. Essa obra retrata o uso da tecnologia e sua influência, por vezes, não ética na dinâmica humana ao discutir temas como manipulação gênica e determinismo social. Assim, já no século XXI, a biotecnologia e suas aplicações no uso de animais e pessoas para o desenvolvimento de novas ações, remetem à obra considerada distópica, além de evidenciar desafios para a conciliação entre o progresso tecnológico e a bioética.
Em primeiro lugar, entender o histórico social do desenvolvimento em detrimento dos sistemas biológicos é fundamental para discutir os desafios os quais envolvem a tecnologia e a bioética nos tempos atuais. Prova disso, foi o uso de pessoas durante a segunda guerra mundial, nos campos de concentrações alemães, para experimentos com o objetivo de avanços na medicina. Tal fato estarrecedor, é relativamente recente ao se pensar que a influência nazista resistiu até os anos de 1945. Não obstante, somente em 1948 o mundo viu pela primeira vez a implementação de uma declaração universal que trabalhasse os direitos humanos.
Por outro lado, os avanços tecnológicos, quando em bom uso, se tornam grandes aliados da humanidade e responsáveis por auxiliar no enfrentamento de diversas questões. O combate às pandemias, bem como o aumento da expectativa de vida com a elaboração de vacinas, medicações e um sistema básico de saneamento são exemplos a serem dados. Sendo assim, o equilíbrio entre as inovações e a ética ainda precisa dar passos largos, embora conquistas já tenham sido feitas a exemplo do código de bioética, o qual preza pela beneficência e não maleficência das ações.
Diante do exposto, a continuidade da garantia dos princípios éticos é fundamental para um progresso biotecnológico saudável. Dessa forma, o ministério da ciência e tecnologia aliado aos ministérios da educação e justiça devem atuar por meio de uma rede virtual a qual fiscalize os recentes trabalhos e intervenções da biotecnologia, além de disponibilizar uma plataforma digital informativa com consultores especialistas que orientem e sanem dúvidas a respeito da legalidade das ações referentes ao tema. Somente assim, será possível conquistar um espaço social o qual respeite os princípios éticos.