Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 05/09/2020
A Biotecnologia é a área de estudo e desenvolvimento de seres criados ou modificados em laboratório com o intuito de promover o aprimoramento de técnicas em vários setores da sociedade (indústria, medicina, meio ambiente). No entanto, apesar dos benefícios já observados - vacinas, inseminação artificial, melhoramento genético das plantas, criação de biocombustíveis - ela gera inúmeras discussões do ponto de vista ético, uma vez que a sua utilização por interesse pessoal ou obtenção de lucro pode gerar consequências negativas ao meio ambiente ou ao indivíduo envolvido. Nesse contexto, medidas governamentais e civis para regulamentar o uso da biotecnologia são necessárias, de maneira a associar, obrigatoriamente, a tecnologia à ética.
Primeiramente, é necessário estabelecer a importância da ética no uso da biotecnologia, o profissional envolvido na utilização desses recursos deve abandonar os interesses pessoais e agir profissionalmente. Essa problemática foi debatida pela Rede Globo de Televisão, na novela “Fina Estampa”, exibida em 2011 e reprisada em 2020. Na ficção, a médica especialista em inseminação artificial, agindo por interesse pessoal, manipulou o procedimento de uma de suas pacientes - escolhendo os doadores do material genético -, essa manipulação foi descoberta e gerou a discussão de quem seria a verdadeira mãe da criança. Fora da “telinha”, essa temática gera polêmica, enfatizando a necessidade de conciliar biotecnologia e ética.
Em adição, o uso de recursos biotecnológicos no agronegócio também é debatido. O filósofo utilitarista Hans Jonas defende a necessidade do indivíduo agir de acordo com a “Ética da responsabilidade” - as ações devem ser pensadas levando em conta suas consequências futuras, não somente as imediatas. Nesse sentido, é observado no agronegócio a utilização da biotecnologia por grandes empresas visando apenas o lucro, através do aumento da produção, em detrimento do meio ambiente e da saúde do consumidor. Visto isso, é notório que a utilização da biotecnologia deve ser debatida e cabe ao Governo estabelecer um limite, visando o bem da sociedade presente e futura.
Urge, pois, que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estabeleça o uso consciente da biotecnologia e monitore as produções, por meio de fiscalizações periódicas e testes de produção - abrangendo os pequenos, médios e grandes produtores -, com o objetivo de garantir a sustentabilidade e a saúde do consumidor. Ademais, cabe à sociedade integrar-se à temática da biotecnologia, e a necessidade de agir eticamente nesse meio. Essa integração pode ser realizada mediante debates em redes sociais, palestras, aulas temáticas nas escolas e faculdades, com o intuito de derrubar o tabu existente e criar indivíduos que agem perante a " Ética da responsabilidade" proposta por Hans Jonas.