Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética

Enviada em 26/10/2020

Jennifer Doudna é uma bioquímica e bióloga molecular que, no ano de 2020, recebeu o Prêmio Nobel de Química, pelo desenvolvimento de um método de edição do genoma. Em outras palavras, essa tecnologia, reconhecida pelo acrônimo CRISPR-Cas9, permite a cura de doenças hereditárias, assim como o melhoramento genético. Entretanto, de acordo com a cientista, é necessário que se tenha cautela no avanço dessa ferramenta e de outras que estão inseridas nesse contexto de inovações científicas. Nesse âmbito, percebe-se a configuração de uma conjuntura que emerge à conciliação da biotecnologia e a ética.

Em primeira instância, cabe destacar alguns feitos importantes advindos da biotecnologia, como a produção da insulina recombinante, que aumentou a longevidade e melhorou a qualidade de vida de diabéticos. Além disso, há a criação de vacinas, medicamentos, a possibilidade de bioimpressão 3D de órgãos humanos e alimentos transgênicos, que resultam numa maior produtividade no campo. Nesse contexto, consoante a Jennifer Doudna, mesmo que tragam inúmeros benefícios, os avanços da ciência requerem cuidados e atenção no que tange a bioética.

Outrossim, vale ressaltar os desafios entre compatibilização da ciência e a ética. Nesse viés, nota-se questionamentos como, por exemplo, quais serão as finalidades de técnicas como a CRISPR-Cas9 e, segundo a bioquímica supracitada, com essa engenharia genética, é possível curar doenças como a fibrose cística e diabetes, mas, também, editar o genoma de embriões para selecionar características desejadas pelos pais. Logo, é primordial esclarecer e resolver questões éticas suscitadas pelos avanços da medicina e biologia, além de garantir a segurança da vida humana que optar por esses procedimentos.

Torna-se claro, portanto, que a biotecnologia já permite a existência e criação de inúmeras técnicas, mas que precisam ter fundamentos éticos. Para isso, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações ter a iniciativa de regulamentar tais avanços no Brasil, por meio da criação de um órgão fiscalizador, que tenha como princípios doutrinários a biossegurança, o respeito aos direitos humanos e a liberdade de escolha de cada brasileiro. Nesse viés, é de responsabilidade desse órgão a fiscalização de empresas privadas que forneçam à sociedade tais tecnologias, com principal foco na minimização de riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção e execução de procedimentos e técnicas.Espera-se, dessa forma, a conciliação entre biotecnologia e ética, visando o progresso na ciência com cautela.