Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 26/09/2020
Na série televisiva “Biohackers”, transmitida pela plataforma de streaming Netflix, testa os limites da ciência, girando em torno de uma trama que envolve diversas experiências genéticas ilegais. Não distante da série, o mundo da biotecnologia se vê em dificuldade quando o assunto é ter seus projetos diretamente concomitantes com a ética. Tamanho impasse é decorrente tanto da falta de supervisão, quanto da falta de limites impostos no campo experimental.
A priori, a falta de supervisão por parte de órgãos superiores permite que muitas associações fujam dos conceitos permitidos pela bioética. De acordo com o site Rádio Câmara, o Brasil é o segundo maior produtor mundial agrícola de transgênicos, produtos que são geneticamente modificados com a proposta básica de ter uma maior resistência a pragas e maior produtividade, tal ponto positivo se torna pequeno quando o mesmo produto é capaz de facilitar a aparição de doenças e causar desequilíbrios ambientais, ferindo assim a existência humana. Sendo necessário uma supervisão, quanto a procedência e os limites das alterações feitas nesses produtos.
Ademais, a falta de limites impostos no campo experimental permite a criação de projetos que ferem os valores humanos. Admirável Mundo Novo, livro de Aldous Huxley, retrata um mundo em que a reprodução é feita em laboratório, sem sexo, em que as pessoas são clonadas de acordo com as exigências da sociedade. Tal acontecimento retratado por Aldous, é atualmente uma ação praticada em animais, consequência do avanço da biotecnologia, mas que se conecta aos desmandos morais prescritos pela ética quando se trata de humanos, principalmente por causar a despersonalização da reprodução humana. Logo, é necessário que exista uma consciência científica que coloque fronteiras entre o aceitável e o antiético.
Infere-se, portanto, que a ética precisa estar em sintonia com a biotecnologia. Posto isso, é imperativo que o governo em ligação com Ministério da Ciência e Tecnologia, fomente a implementação e desenvolvimento de comitês de ética que supervisione os desenvolvimentos biotecnológicos, por meio de critérios que concordem com à ética individual e social, proporcionando o bem estar, a responsabilidade científica e o limite da intervenção humanitária. Feito isso, será possível que o avanço da biotecnologia seja conciliado com a ética, evitando assim que ocorra o mesmo que em Biohackers.