Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 05/10/2020
Na película “A Ilha”, são retratado casos de clones que são enviados à uma ilha para nela serem mortos podendo assim, doar órgãos para seus seres originários, tornando dubitável a manutenção da ética em meio ao avanço científico. Na contemporaneidade, também está se tornando visível que impulsos na biotecnologia científica também não condizem com a ética imposta pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e que poderiam ser usados para a manutenção do meio ambiente em tempos de crises ambientais. Portanto, é necessário que haja intervenção da ONU para redigir normas de cumprimento ao código ético que rege a sociedade atual.
Em primeiro lugar, é necessário citar o caso de modificação do DNA humano que resultou em modificações fisiológicas, ocorrido durante a segunda guerra mundial no território alemão apontado por pesquisadores do Instituto Histórico e Científico Americano (ACHI), onde cientistas alemães modificavam filamentos de DNA humano na tentativa de criar “homens-arma” para vencer a guerra, evidenciando portanto, a quebra do código ético através da biotecnologia. Nesse sentido, todo e qualquer experimento que modifique características genéticas que não venha a ser útil para questões de saúde ou fins de manutenção da vida devem passar a ser vistos com um olhar de enfrentamento.
Em segundo lugar, é de extrema importância constatar a citação de Michelle Steiner, coordenadora do curso de Biologia da Universidade Federal do Ceará, em seu discurso de formatura: “Toda ação que não se manifesta à favor da vida, não merece ser exercida.” Sabendo-se que mais de 68% das pesquisas científicas estão relacionadas à manipulação do DNA biológico, e que menos de 10% delas são direcionadas para questões ambientais, nota-se que o ser humano tornou-se ainda mais individualista, buscando o melhor para si e não para todos. Desse modo, toda avanço biotecnológico que não é realizado para a manutenção da vida em geral não deveria ser considerado um avanço, mas sim um retrocesso, logo, deve ser evitado à todo custo.
Ante aos argumentos supracitados, far-se-á necessário a efetivação de políticas públicas para combater o uso antiético da biotecnologia. Assiste à ONU sancionar leis em todo o mundo que tornem obrigatório a fiscalização judicial de processos biotecnológicos, e o ensino de ética científica dentro das escolas a partir do ensino fundamental, com profissionais especializados e materiais didáticos interativos para melhor compreensão. Para que seja mais importante o bem comum que o bem individual e ocorra um avanço na biotecnologia sem transgredir princípios éticos. Somente assim, através da educação, o mundo será um lugar melhor para se viver, não se repetindo o ocorrido na “Ilha”;