Desafios para a conciliação da Biotecnologia e a Ética
Enviada em 25/10/2020
Policarpo Quaresma, protagonista da obra-prima de Lima Barreto, era um nacionalista extremado que sonhava com mudanças utópicas para o Brasil e morreu frustrado ao ver que elas não aconteceram. Se vivesse hoje, por certo se decepcionaria ao notar que a sociedade pouco se avançou no sentido de uma reflexão ética e moral, haja vistas que entraves, como as dificuldades para a conciliação da biotecnologia e a ética, se fazem presentes no corpo brasileiro. Nesse sentido, cabe analisar em como os avanços da biotecnologia podem se contrapor eticamente em relação a possibilidade da promoção de ideais eugênicos e como os alimentos geneticamente modificados podem impactar na saúde das pessoas.
Observa-se, em primeira instância, que os avanços biotecnológicos podem ser um problema para a sociedade brasileira. Sob essa ótica, tal entrave se diverge de utopia de Brasil narrada por Barreto, na medida em que o Brasil é líder de reprodução assistida na América Latina, de acordo com o site Crescer. Ademais, a fertilização in vitro permite aos pais que eles façam mudanças genéticas em seus filhos fertilizados, como a cor do cabelo e até mesmo o sexo do bebê, podendo assim criar pensamentos eugênicos e promover a ideia de que existem seres humanos geneticamente melhores que os outros.
Outrossim, vale ressaltar que houve um crescimento na demanda de alimentos. Nesse contexto, ganha voz a percepção do sociólogo Émile Durkheim, ao afirmar, na obra “Estudo do método sociólogo”, que os instrumentos sociais obrigam os indivíduos a se adaptarem ás regras da sociedade. Esse pensamento, em sua essência, revela a má distribuição alimentícia, forçando o uso de modificações genéticas para aumentar o ciclo de produção, e, consequentemente, aumenta o consumo de produtos cancerígenos.
Tendo em vista os fatos supracitados, é notória a necessidade de que o governo, juntamente ao Ministério da Saúde, através de projetos governamentais, elabore campanhas com palestras para mostrar a importância da fertilização em laboratório para a humanidade e como é um avanço para a ciência, para que dessa forma não exista a ideia de que está sendo propagado pensamentos eugenitas. Também se mostra necessário que o Ministério da Saúde intervenha na larga produção de alimentos transgênicos e faça uma maior propaganda, através da mídia, sobre os impactos que esses produtos podem causar na saúde ao serem consumidos em longo prazo, para que todos tenham a consciência da necessidade de sua produção, mas também saibam o perigo da mesma.